Temer diz a empresários que é preciso consolidar novos fundamentos econômicos do país

quarta-feira, 8 de junho de 2016 15:31 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente interino Michel Temer afirmou nesta quarta-feira que a equipe econômica de seu governo tem trabalhado para reverter a situação econômica complicada herdada da presidente afastada Dilma Rousseff, mas ponderou que os resultados não virão da noite para o dia e que é preciso consolidar novos fundamentos econômicos do país.

Em encontro com líderes empresariais no Palácio do Planalto, Temer afirmou ainda que, apesar de estar na Presidência interinamente devido ao afastamento de Dilma por processo de impeachment, não age como se seu governo fosse transitório. Temer também disse que a participação da iniciativa privada é fundamental para a criação de empregos.

Em seu discurso, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que organizou o encontro com empresários, cobrou cinco pontos essenciais para a indústria. Entre eles, o não aumento de impostos, que foi centro da campanha da federação contra o governo de Dilma.

Também pediu a queda nas taxas de juros, o aumento de crédito, inclusive para exportações, e o incremento do programa de concessões e parcerias público-privadas.

“Estamos falando de medidas emergenciais que possam recuperar a confiança com investimentos, consumo. A roda da economia anda e começa a resolver o problema de todo mundo”, afirmou.

A presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, presente no encontro, disse que a indústria pediu ao governo um programa de estímulo às exportações para que a indústria consiga se recuperar e contribuir para o crescimento do mercado interno.

"Claro que (uma melhora no) câmbio e crédito são fundamentais, mas não são inteiramente suficientes", disse Elizabeth. "O esforço de exportação está imenso". A Ibá representa o setor de produção de celulose, papel e painéis de madeira.

O encontro com empresários foi o primeiro oficial desde que Temer assumiu o governo, mas durante todo a tramitação do processo de afastamento de Dilma Rousseff na Câmara, organizações da indústria já declaravam apoio aberto ao impeachment. Cerca de 300 pessoas, de diferentes federações e áreas, estiveram no Palácio do Planalto para ouvir o presidente e a equipe econômica.

A intenção de Temer é reativar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, criado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e praticamente desativado durante o governo Dilma. O conselho de Temer, no entanto, deve mudar os membros e dar um espaço maior aos empresários.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

 
Presidente interino Michel Temer durante evento no Palácio do Planalto, Brasília.    01/06/2016      REUTERS/Ueslei Marcelino