ENTREVISTA-Pearson avalia aquisições no Brasil em meio à consolidação do setor educacional

quarta-feira, 8 de junho de 2016 21:04 BRT
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Pearson, grupo britânico educacional que oferece de softwares de ensino a consultoria pedagógica, avalia novas aquisições no Brasil e não descarta a compra de faculdades ou colégios, em um momento em que a consolidação do setor educacional do país ganha força com as propostas de Kroton e Ser Educacional pela Estácio Participações.

"Como hoje o mercado está bem aquecido, e prova disso são as propostas pela Estácio, têm aparecido diversas oportunidades de aquisições (no Brasil) e estamos avaliando todas, mas ainda não há nada concreto. Estamos identificando oportunidades", disse à Reuters o presidente da Pearson no Brasil, Luciano Kliemaschewsk.

Questionado sobre a possibilidade de fazer uma proposta pela Estácio, Klima, como é conhecido, limitou-se a afirmar que "a companhia está olhando oportunidades no mercado, principalmente nos mercados emergentes, grupo ao qual o Brasil faz parte".

As instituições próprias da Pearson em todo mundo representam uma fatia pequena do grupo que lucrou 823 milhões de libras esterlinas (mais de 4 bilhões de reais) em 2015. A companhia é dona da faculdade CTI, na África do Sul, adquirida em 2010. Em 2012, lançou uma universidade online no México em parceria com uma instituição local, no mesmo ano que abriu a Pearson College, no Reino Unido.

Klima assumiu o comando da companhia no país em fevereiro, em um processo de reestruturação global que levou o então presidente Giovanni Giovannelli a comandar o negócio de mercados em crescimento da Pearson, que inclui, além do Brasil, China, África do Sul e Índia.

A Pearson não tem escolas de ensino básico ou nível superior próprias no Brasil, mas é algo que a companhia tem avaliado, afirmou o executivo. "A gente está avaliando, mas não chegamos a uma conclusão com relação a isso", disse.

Além da recessão que tende a pressionar para baixo os preços dos ativos brasileiros, a desvalorização do real frente ao dólar e à libra esterlina coloca a companhia em um posição mais favorável para aquisições no momento, acrescentou o executivo.

Globalmente, a Pearson está focando na área educacional e se desfez de ativos de mídia como o grupo FT, dono do jornal Financial Times, para concentrar-se neste segmento.   Continuação...