Indústria de carne do Brasil recorre ao trigo em meio à escassez de milho

quinta-feira, 9 de junho de 2016 15:28 BRT
 

Por Roberto Samora e Reese Ewing

SÃO PAULO (Reuters) - Os produtores de carne de aves e suínos do Brasil estão apelando ao trigo como substituto de emergência para alimentar suas criações, uma medida rara da indústria, que enfrenta dificuldades em meio à escassez de milho, elevando os preços do cereal a níveis recordes, afirmaram especialistas.

A prática, que não era vista com tal intensidade há muito tempo no Brasil, um dos maiores produtores de proteína animal do mundo, evidencia como os elevados preços do milho no mercado doméstico e uma inesperada crise de oferta do cereal começam a afetar outros mercados de commodities e forçam a indústria a procurar alternativas.

Em mais um capítulo na crise do milho, que já dura meses, os processadores de carne estão tendo que alimentar suínos e aves com grãos de alta qualidade, normalmente usados em farinha para pães e biscoitos.

A oferta de trigo de menor qualidade, que por vezes é misturado à ração, já está esgotada.

Operadores de três cooperativas em Estados produtores de grãos do Sul reportaram nas últimas semanas vendas de trigo para moagem a indústrias de ração.

"Não é que o trigo é mais barato. É que simplesmente não há nenhum milho não vendido por aí", disse um operador de uma cooperativa no Paraná.

Operadores no Estado cotaram preços do trigo soft em entre 800 e 850 reais a tonelada, o que equivale a entre 48 e 51 reais pela saca de 60 kg. O milho tem sido cotado entre 50 e 60 reais a saca no Sul até recentemente, embora não seja fácil encontrar oferta do cereal.

O consultor Luiz Carlos Pacheco, da Trigo & Farinhas, disse que a indústria de carnes comprou 220 mil toneladas de trigo desde maio, quando ficou claro o tamanho da falta de oferta de milho no mercado.   Continuação...