Governo reavalia leilões de energia de 2016 e pode mudar datas, diz ministro

sexta-feira, 10 de junho de 2016 15:07 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O governo do presidente interino Michel Temer avalia se manterá os leilões para contratação de novas usinas de energia já agendados para este ano, em meio à reorganização do Ministério de Minas e Energia e órgãos relacionados, disse nesta sexta-feira o ministro da pasta, Fernando Coelho Filho, que assumiu em maio.

Ele disse que a ideia, a princípio, é manter os certames, mas é preciso avaliar a real necessidade de expansão da capacidade instalada do país, uma vez que o consumo de energia tem caído e as empresas de distribuição queixam-se de possuir mais eletricidade contratada do que tem sido demandado por seus clientes.

Há dois certames já agendados para contratar novas usinas, um em 29 de julho e outro em 28 de outubro. Ambos tiveram a data definida ainda em março, antes de a presidente Dilma Rousseff ser afastada temporariamente pelo Senado em processo de impeachment.

"Evidentemente, tem o problema da sobrecontratação, mas os leilões também são importantes pelo incentivo à indústria e pela sinalização de médio e longo prazo (para os investidores). Talvez não ocorram nas datas previstas, tenha algum ajuste quanto à data, mas nossa disposição é fazer", disse Coelho Filho a jornalistas.

O ministro participou nesta sexta-feira de encontro com autoridades do governo paulista e executivos de empresas de energia com sede em São Paulo.

Mais cedo, o secretário-executivo do ministério, Paulo Pedrosa, afirmou que definições sobre os leilões deverão ser concluídas após o matemático Luiz Barroso, diretor da consultoria especializada em energia PSR, assumir a presidência da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o que deverá acontecer até o final deste mês.

A EPE promove estudos sobre a expansão da geração e da transmissão de energia e é responsável pela preparação e apoio técnico aos leilões de energia.

"De um lado existe uma importância muito grande e estratégica para o país (nos leilões como forma de atrair investidores e tecnologia) que deve ser considerada como política de governo como um todo. De outro lado existe uma reflexão sobre o custo da energia para o consumidor em um momento em que há sobreoferta", avaliou Pedrosa.

A Abradee, associação que representa investidores em distribuição, afirmou que as concessionárias do segmento deverão terminar 2016 com cerca de 13,3 por cento em sobras de energia, o que gera perdas para as empresas, que têm vendido os excedentes a preços baixos no mercado spot de eletricidade.   Continuação...