Investimento chinês desacelera a mínima de 15 anos e espera-se mais estímulo

segunda-feira, 13 de junho de 2016 09:15 BRT
 

Por Kevin Yao e Elias Glenn

PEQUIM (Reuters) - O aumento dos investimentos em ativos fixos da China desacelerou para menos de 10 por cento pela primeira vez desde 2000 entre janeiro e maio uma vez que o impulso do crescimento recorde do crédito parece estar desaparecendo rapidamente, trazendo de volta expectativas de mais estímulos.

Analistas dizem que a forte desaceleração no investimento privado poderia colocar em risco a meta de crescimento da China de 6,5 a 7 por cento este ano, a não ser que o governo injete ainda mais dinheiro na economia, apesar dos crescentes temores globais de que o país já está acumulando dívida demais.

Dados divulgados nesta segunda-feira mostraram que o crescimento do investimento em ativo fixo --importante motor da economia chinesa-- desacelerou para 9,6 por cento entre janeiro e maio na comparação com o mesmo período do ano anterior, contra expectativa de 10,5 por cento, o mesmo que entre janeiro e abril.

Ainda mais preocupante, o investimento de empresas privadas desacelerou para mínima recorde, com crescimento de 3,9 por cento contra 5,2 por cento entre janeiro e abril e dois dígitos no ano passado. O investimento privado responde por 60 por cento do investimento total na China.

A fraqueza do investimento privado sugere que o crescimento da China é cada vez mais dependente dos gastos do governo através de empresas estatais, cujos investimentos subiram 23,3 por cento entre janeiro e maio.

Também significa que as autoridades podem ter que adotar medidas mais fortes para sustentar a economia se mantiverem a meta de expansão de 2016.

Outros dados de maio foram mistos, sugerindo que embora a economia possa estar se recuperando, ainda tem dificuldades para ganhar força.

A expansão da produção industrial em maio foi de 6 por cento sobre o ano anterior, informou nesta segunda-feira a Agência Nacional de Estatísticas da China, contra projeção de analistas de 5,9 por cento.

As vendas no varejo em maio cresceram 10,0 por cento na comparação anual, contra estimativa de alta de 10,1 por cento.