Ilan diz que BC pode usar com parcimônia instrumentos cambiais

segunda-feira, 13 de junho de 2016 17:14 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta segunda-feira que a autoridade monetária poderá usar com "parcimônia" os ferramentas cambiais e reforçou o compromisso em levar a inflação para o centro da meta oficial do governo.

"Sem ferir o regime de câmbio flutuante, o Banco Central poderá utilizar com parcimônia as ferramentas cambiais de que dispõe", afirmou ele durante discurso na cerimônia de transmissão de cargo.

E completou: "nesse sentido, poderá reduzir sua exposição cambial em determinado instrumento em ritmo compatível com o normal funcionamento do mercado, quando e se estiverem presentes as adequadas condições", em referência ao estoque de swap cambial tradicional, equivalente a venda futura de dólares.

Semana passada, Ilan afirmou durante sabatina no Senado que iria respeitar o regime de câmbio flutuante, mensagem que foi entendida pelo mercado como sinal de que estaria bem menos propenso a fazer intervenções cambiais do que a gestão do ex-presidente do BC Alexandre Tombini. Com isso, o dólar chegou despencar para 3,3697 reais, menor patamar de fechamento em quase um ano.

Com a fala desta tarde, o dólar manteve-se nas máximas do dia, no patamar de 3,48 reais.

Ilan voltou a repetir que ainda o objetivo é mirar sempre no "ponto central" da meta de inflação, e que os limites de tolerância estabelecidos servem para acomodar choques inesperados.

"Enquanto a inflação retorna ao centro da meta após eventuais choques, é fundamental o gerenciamento das expectativas no sistema de metas, fator-chave de sucesso para esse regime (de metas de inflação), afirmou ele.

O novo presidente do BC também divulgou os nomes indicados para assumir importantes diretorias na autarquia, como Reinaldo Le Grazie, que estava como presidente da Bradesco Asset Management (Bram), para o comando da Política Monetária. La Grazie assumiu o posto deixado vago na Bram por Joaquim Levy, após ter aceitado chefiar o Ministério da Fazenda no fim de 2014.   Continuação...

 
Ilan Goldfajn, novo presidente do Banco Central, em reunião no Senado, em Brasília 07/06/2016 REUTERS/Adriano Machado