Incerteza política no país eleva cautela de investidores em concessões públicas

terça-feira, 14 de junho de 2016 15:04 BRT
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - Pelo menos até a conclusão do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado, prevista para meados de agosto, os potenciais investidores para grandes projetos de infraestrutura ou privatizações ainda devem continuar vendo o Brasil com grande desconfiança, dificultando a realização de leilões de concessões públicas.

A condição de interino do presidente Michel Temer e o sentimento de que não é impossível o retorno de Dilma geraram uma situação em que os investidores não sabem quem estará no poder para assinar um contrato de concessão, por exemplo, nos próximos meses.

A insegurança entre os investidores é visível, disse à Reuters um dirigente de uma importante agência reguladora.

"O que temos dito a quem nos procura é que, se ele vencer um leilão, vai assinar o contrato com uma agência reguladora, que é estável, autônoma, e não com o governo que estiver no poder na ocasião", disse o dirigente, que pediu anonimato, ao relatar os esforços para acalmar os investidores.

O ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e consultor Afonso Henriques Moreira Santos acha "muito complicado" que se consiga realizar no curto prazo leilões de privatização das distribuidoras da Eletrobras, ou mesmo da goiana Celg-D, que está em processo mais adiantado.

"Não acredito em nada disso nos próximos 12 meses", disse, afirmando que quem deseja vir para o Brasil para comprar esses ativos espera uma definição do quadro político e alguma reorganização da economia.

Henriques lembrou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá um papel importante nessas vendas de ativos e ainda precisa ser reorganizado sob a nova gestão.

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