Produtores de ração sentem impacto de custos maiores do milho e revisam previsões

terça-feira, 14 de junho de 2016 18:32 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A demanda por ração animal no segundo trimestre deverá registrar queda na comparação com os primeiros meses do ano, com a indústria de aves e suínos do Brasil sofrendo as consequências de uma alta nos custos de matérias-primas como milho e farelo de soja, afirmou nesta terça-feira um dirigente do Sindirações.

Dessa forma, o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal está revendo sua expectativa inicial de crescimento de cerca de 3 por cento na produção de ração e sal mineral em 2016.

"Se finalizar o ano estável, já será motivo de celebração", afirmou o vice-presidente-executivo do Sindirações, Ariovaldo Zani, em entrevista à Reuters nesta terça-feira.

No ano passado, o Brasil produziu 68,7 milhões de toneladas de ração e sal mineral.

Afetada por problemas climáticos no país, a safra de milho, principal insumo da ração, foi reduzida fortemente, elevando os preços para patamares recordes. Enquanto a produção de soja também sofreu alguns efeitos do tempo seco.

"Além da crise de custos, tem a crise de oferta (de matéria-prima)... No segundo trimestre, a expectativa é de que a produção de frangos tenha caído", disse Zani, justificando a expectativa de uma demanda menor neste trimestre.

A produção de frangos e suínos consome cerca de 80 por cento da produção brasileira de ração.

No segundo trimestre, os preços das matérias-primas subiram fortemente no Brasil --os do milho mais que dobraram em relação a maio do ano passado--, segundo dados do Sindirações, levando indústrias de carnes a cortarem turnos de trabalho ou reduzirem as criações, abatendo matrizes.   Continuação...