Usiminas inicia demissões de mais 400 a 500 funcionários em usina de Cubatão, diz sindicato

quarta-feira, 15 de junho de 2016 15:23 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Usiminas iniciou demissões de mais 400 a 500 funcionários diretos da usina siderúrgica de Cubatão, no litoral de São Paulo, em adição aos cerca de 2.400 cortes realizados na unidade desde o início do ano, informou o sindicato local nesta quarta-feira.

"Eles anunciaram ontem em uma reunião conosco mais 400 a 500 demissões em várias áreas", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e Siderúrgicos de Santos e Região, Florêncio Rezende de Sá. "Desde janeiro para cá, (as demissões) já passaram de 2.400", acrescentou Sá.

A empresa paralisou no início deste ano a produção de aço bruto da usina, deixando ativas as áreas de laminação. Quando anunciou os planos, no final do ano passado, a Usiminas tinha cerca de 4.500 funcionários na unidade, informou o sindicalista.

Procurada, a Usiminas não confirmou o número de cortes, mas afirmou que "está adequando o quadro de pessoal da usina de Cubatão à realidade do mercado brasileiro de aço, em função do agravamento da crise de demanda".

A empresa afirmou que procurou sindicatos para "negociar benefícios extras para reduzir o impacto social da medida. No entanto, o sindicato dos metalúrgicos recusou-se a discutir o tema, enquanto o sindicato dos engenheiros concordou em continuar o diálogo".

Sá afirmou que o sindicato vai avaliar ações políticas da entidade contra os novos cortes, que segundo ele, já começaram. Segundo ele, a Usiminas informou que os novos cortes devem ser realizados até 15 de julho.

Nessa época, a Usiminas espera estar concluindo o processo de refinanciamento de dívidas de cerca de 7 bilhões de reais com credores brasileiros e internacionais, em um processo que inclui um aumento de capital de 1 bilhão de reais e venda de ativos.

Segundo Sá, a Usiminas laminou volume baixo de aço em maio, cerca de 40 mil toneladas, mas informou que pretende ampliar esse volume para cerca de 120 mil toneladas a partir da próxima semana, usando para isso aço comprado da rival Companhia Siderúrgica do Atlântico, instalada no Rio de Janeiro e controlada pelo grupo ThyssenKrupp.

De janeiro a maio, as vendas de aço no Brasil caíram 18,4 por cento sobre o mesmo período do ano passado, para 6,7 milhões de toneladas, segundo dados do Instituto Aço Brasil, que projeta uma queda de 10 por cento nas vendas em 2016.

(Por Alberto Alerigi Jr.)