Empresa de tecnologia admitiu vantagens ilícitas à Eletrobras, diz Sérgio Machado

quarta-feira, 15 de junho de 2016 16:03 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou em depoimento à Justiça que o proprietário da empresa de serviços Bauruense Tecnologia disse ter pago "vantagens ilícitas" para a Eletrobras, além de ter viabilizado propinas também junto à Transpetro, subsidiária de transporte da Petrobras.

A citação à estatal federal de energia, de acordo com conteúdo da delação de Machado divulgado nesta quarta-feira, é mais uma em meio a acusações de irregularidades que envolvem também a hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída no Pará, e a usina nuclear de Angra 3, que está com as obras paralisadas em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Todas acusações originaram-se de depoimentos ao Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção entre estatais brasileiras, empresas privadas e partidos políticos.

Segundo o termo de colaboração de Machado à Justiça, a Bauruense Tecnologia firmou contrato com a Transpetro em janeiro de 2008 e fez "alguns pagamentos de vantagens ilícitas, no valor total de 300 mil reais" à subsidiária da Petrobras.

No depoimento, Machado afirmou que tinha contato com o dono da Bauruense, Airton Daré, que teria lhe explicitado "que o pagamento de vantagem ilícita era o modo como a empresa Bauruense trabalhava na Eletrobras".

Ele não citou valores ou motivos dos pagamentos que teriam sido feitos à Eletrobras.

Machado disse que, no caso da Transpetro, as "vantagens ilícitas" foram pagas pela Bauruense de forma "esporádica".

O contato com as empresas que pagavam as propinas, segundo ele, era sempre feito sempre "por meio dos donos", e na Transpetro envolvia 3 por cento do valor dos contratos de prestação de serviços.

"Esse apoio não era regra e era solicitado apenas de uma parte das empresas com as quais eu tinha maior relacionamento com os donos", disse Machado.   Continuação...