CSN diz que não medirá esforços para assegurar conselheiros na Usiminas

quinta-feira, 16 de junho de 2016 17:57 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Companhia Siderúrgica Nacional disse nesta quinta-feira que não medirá esforços para assegurar que os conselheiros indicados por ela para o Conselho de Administração da Usiminas participem das discussões do colegiado da rival.

A empresa respondeu à decisão de desembargador do Tribunal Regional Federal de Brasília Jirair Aram Meguerian, que voltou a impedir a participação de Gesner Oliveira e Ricardo Weiss no Conselho da Usiminas.

A presença dos conselheiros indicados pela CSN foi permitida por decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no fim de abril. A decisão flexibilizou determinação do próprio órgão de defesa da concorrência que impedia o grupo siderúrgico de exercer direitos políticos na Conselho de Administração da Usiminas.

Segundo a CSN, a presença dos conselheiros é "fundamental para que a empresa (Usiminas) reencontre o bom caminho e volte a crescer".

"Sem tais conselheiros independentes, fica prejudicada a discussão efetivamente neutra da melhor forma de reestruturar e recuperar a Usiminas", afirmou a CSN em comunicado. "Com a referida decisão, volta-se a uma configuração do Conselho da Usiminas que, claramente, está unicamente alinhada com os interesses dos acionistas majoritários e que levou a Usiminas à beira de uma recuperação judicial", acrescentou a empresa.

O grupo de controle da Usiminas é formado pelos grupos Nippon Steel e Techint, além do fundo de pensão dos funcionários da companhia. A CSN é o principal acionista minoritário da Usiminas, mas tem ordem do Cade de vender sua participação em um prazo não revelado pelo órgão.

A CSN é contra uma aumento de capital de 1 bilhão de reais da Usiminas proposta pela Nippon Steel como única forma de permitir que credores sigam adiante com plano de refinanciamento da empresa, aprovado na véspera. A empresa tem defendido uso de recursos disponíveis em caixa da mineradora da Usiminas, Musa, como forma de reduzir o montante necessário para o aumento de capital e minimizar a diluição dos acionistas.

"A insegurança jurídica gerada pelos acionistas Nippon, Ternium e Geração Futuro, além da própria Usiminas, em nada contribui para o equacionamento da crise desta última", afirmou a CSN no comunicado.

Representantes da Nippon Steel no Brasil e da Geração Futuro não puderam comentar o assunto de imediato. O grupo Techint não se manifestou.

(Por Alberto Alerigi Jr.)