Incerteza sobre câmbio desaba no Brasil e alimenta segurança de investidor

sexta-feira, 17 de junho de 2016 17:46 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - A incerteza sobre em qual patamar o dólar deve terminar 2016 caiu ao menor nível em mais de dois anos, mostram dados do Banco Central, após o ápice da crise política que resultou no afastamento da presidente Dilma Rousseff, aumentando a segurança de investidores e barateando o custo de proteção das suas aplicações no país.

O movimento pode ser o primeiro passo para trazer de volta o investimento estrangeiro ao Brasil, mas por enquanto a cautela permanece.

"Como sabemos, a mudança no governo é vista positivamente por investidores locais", afirmou o estrategista de câmbio do Credit Suisse Alvise Marino, acrescentando que a recente política de intervenção do BC no câmbio também contribuiu ao evitar que investidores projetassem quedas muito maiores do dólar.

"Em certa medida, isso já diminuiu os custos de hedge... e redução nas incertezas é, de maneira geral, um incentivo aos fluxos de entrada", acrescentou.

Quase a totalidade das projeções do dólar estava entre 3,36 e 3,96 reais no fim de 2016, intervalo de 0,60 real, segundo cálculo feito pela Reuters com base no desvio-padrão --uma medida de dispersão-- das estimativas que constam na pesquisa Focus do BC mais recente, que ouve semanalmente uma centena de economistas.

Trata-se do menor nível desde março de 2014 e menos da metade do apurado no pico deste ano, em 1º de abril, duas semanas antes da votação do impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados.

"Você tinha riscos importantes presentes antes da votação do impeachment que são muito menores agora. Com o governo novo, por mais que ainda haja dúvidas, há uma agenda mais clara", disse o estrategista da Nomura Securities para a América Latina, João Pedro Ribeiro, referindo-se ao presidente interino Michel Temer.

Veja mais detalhes sobre as projeções: tmsnrt.rs/1UBpAoe   Continuação...