Dólar cai 1% e vai abaixo de R$3,40 com otimismo sobre referendo britânico

segunda-feira, 20 de junho de 2016 10:15 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuava 1 por cento e voltava abaixo de 3,40 reais nesta segunda-feira, reagindo a menores preocupações com a possibilidade de a Grã-Bretanha deixar a União Europeia (UE) após pesquisas mostrarem maior apoio à permanência antes do referendo desta semana.

Às 10:14, o dólar recuava 1,01 por cento, a 3,3859 reais na venda. Na mínima do dia, foi a 3,3737 reais. O dólar futuro caía cerca de 0,9 por cento.

A percepção de que a campanha pela saída vem perdendo ímpeto já havia levado a norte-americana a recuar 1,43 por cento na sessão anterior.

"Houve uma virada positiva no sentimento sobre o referendo nos últimos dias e as últimas pesquisas parecem confirmar essa melhora", disse o operador da corretora B&T Marcos Trabbold.

Três pesquisas de opinião no sábado mostraram liderança da opção "ficar", tendência oposta à vista no início da semana passada. Operadores temem que eventual saída possa golpear a economia global e reduzir a disposição dos investidores de assumirem riscos, prejudicando mercados emergentes.

Com isso, o dólar voltou a recuar abaixo dos 3,40 reais, após furar essa barreira pela primeira vez em quase um ano no início deste mês diante de apostas de que o Banco Central estaria menos propenso a intervir no mercado sob a batuta de Ilan Goldfajn.

O BC não intervém no mercado desde o último pregão de maio, quando realizou o costumeiro leilão de linha para rolagem que pratica em fins de mês, e não oferta swaps reversos --que equivalem a compra futura de dólares-- desde 18 de maio.

"Se o BC continuar ausente e não tivermos grandes sustos, o dólar pode até buscar patamares mais baixos", disse o operador de um banco internacional.

Ele mencionou como fatores que podem levar o dólar a retomar a alta novas denúncias de figuras importantes do governo do presidente interino Michel Temer. Escândalos recentes vêm alimentando preocupação com a credibilidade e a capacidade do governo, que já perdeu três ministros, de aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso Nacional.