Após fracaso em negociação com credores, Oi pede recuperação judicial

segunda-feira, 20 de junho de 2016 22:48 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - A Oi e seis subsidiárias entraram com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira após fracasso da maior companhia de telefonia fixa do Brasil nas negociações para reorganizar e reestruturar sua dívida de 65,4 bilhões de reais antes do vencimento de bônus em julho.

O pedido de recuperação judicial --o maior da história do Brasil, de acordo com dados da Thomson Reuters-- precisa de aprovação judicial. Uma vez que a justiça aprovar o pedido, a Oi terá 60 dias para apresentar um plano para reorganizar o negócio e pagar suas obrigações.

A decisão ocorre dois meses após a Oi e vários credores iniciaram conversas para reestruturar cerca de 50 bilhões de reais em dívidas bancárias e em bônus. As conversas foram suspensas no início do mês, depois que alguns importantes acionistas resistiram às negociações devido a perspectiva de que um acordo com credores poderia reduzir suas participações na empresa drasticamente, disseram fontes à Reuters na época.

Em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Oi disse que o pedido na justiça do Rio de Janeiro resultou de "obstáculos confrontados pela administração para encontrar uma alternativa viável com credores".

"Considerando os desafios decorrentes da situação econômico-financeira das empresas Oi à luz do cronograma de vencimento de suas dívidas, ameaças ao caixa das empresas com iminentes penhoras ou bloqueios em processos judiciais, e tendo em vista a urgência na adoção de medidas de proteção das empresas, a Oi julgou que a apresentação do pedido de recuperação judicial seria a medida mais adequada neste momento."

Preocupações sobre um iminente plano de recuperação judicial aumentaram em 10 de junho quando o presidente-executivo Bayard Gontijo renunciou depois que a maioria no Conselho de Administração empacou na direção de uma reestruturação. Um destes acionistas, Pharol SGPS, criticou o apoio de Gontijo para uma proposta de um credor que daria a ele uma fatia de 95 por cento na Oi.

"Como antecipado, negociações não chegaram a um acordo entre as partes, e investidores estão esperando o próximo passo da Oi", disse Paolo Gorgó, um investidor baseado na Itália especializado em casos de dívidas em dificuldades.

Fruto de uma fusão patrocinada pelo governo brasileiro há oito anos e única operadora controlada por capital nacional, a Oi vem lutado há anos contra o fardo das metas de expansão obrigatória de linhas fixas, crescente competição nos segmentos de telefonia móvel e de dados e aumento do endividamento.   Continuação...