Yellen reafirma cautela sobre juros por referendo britânico e desaceleração de contratações

terça-feira, 21 de junho de 2016 14:20 BRT
 

Por Howard Schneider e Jason Lange

WASHINGTON (Reuters) - Os riscos internacionais e a desaceleração das contratações nos Estados Unidos justificam uma postura cautelosa para elevar os juros enquanto o Federal Reserve busca confirmação de que a recuperação econômica do país continua nos trilhos, disse nesta terça-feira a chair do banco central norte-americano, Janet Yellen.

Em depoimento preparado para o Comitê Bancário do Senado, Yellen descreveu como o Fed foi desviado do curso semanas depois de elevar os juros em dezembro por uma desaceleração do crescimento econômico dos EUA, preocupações com a trajetória de crescimento da China, queda dos preços do petróleo e outros eventos.

Algumas dessas dúvidas permanecem, disse Yellen em declarações que parecem sinalizar que não há necessidade premente de o Fed elevar os juros.

Antes de novo aperto monetário, disse ela, o Fed precisa ter certeza de que o crescimento econômico dos EUA e as contratações se recuperaram, e que não há choque do resultado do referendo sobre a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia, em 23 de junho.

"O ritmo de melhora do mercado de trabalho parece ter desacelerado mais recentemente, sugerindo que nossa postura cautelosa... permanece apropriada", disse Yellen em participação semestral no Congresso.

Questionada por um parlamentar se eventual saída da Grã-Bretanha da UE poderia provocar recessão nos EUA, Yellen disse: "Não acredito que esse é o cenário mais provável, mas simplesmente não sabemos o que vai acontecer e precisamos observar com muito cuidado".

Com a economia global fraca, a produtividade baixa nos EUA e outros fatores que seguram os juros no longo prazo, Yellen disse que a taxa básica de juros do Fed provavelmente permanecerá baixa "por algum tempo".

As atuais projeções das autoridades do Fed preveem duas altas de juros neste ano e três em 2017 e outras três em 2018, ritmo mais lento do que projetado em março.   Continuação...

 
Chair do Fed, Janet Yellen, em Washington.   21/06/2016        REUTERS/Carlos Barria