ANÁLISE-Alimentos aumentam expectativas de inflação e ameaçam adiar queda do juro básico

terça-feira, 21 de junho de 2016 15:03 BRT
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - O clima adverso que tem assolado o país acertou em cheio a inflação brasileira, que mostrou repiques inesperados recentemente sobretudo por conta dos preços dos alimentos, e têm levado especialistas a piorarem suas projeções e colocado em risco o afrouxamento da política monetária.

Economistas consultados pela Reuters ainda esperam sinalizações mais claras da nova equipe do Banco Central para calibrar suas apostas sobre a Selic, hoje em 14,25 por cento ao ano, mas já mostram preocupação com a nova pressão sobre os preços.

"A pressão recente dos alimentos pode ter algum efeito sobre as expectativas e o BC pode adiar o início do ciclo (de queda da Selic)", avaliou o economista-sênior do banco de investimento Haitong, Flávio Serrano, que vê o começo dos cortes em julho.

O IPCA mostrou em abril e em maio altas acima do esperado, de 0,61 e 0,78 por cento respectivamente, com alimentação exercendo forte influência. Até o mês passado, o índice acumulava em 12 meses avanço de 9,32 por cento, mas somente alimentação e bebidas tinham alta de 12,74 por cento no período. Em 2015, esse grupo subiu 12,03 por cento, contra 10,67 por cento do índice cheio.

Na pesquisa Focus do BC, que ouve semanalmente uma centena de economistas, as projeções para a inflação para este ano têm subido há cinco semanas, a 7,25 por cento --estourando a meta oficial de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Com o repique inflacionário, no mercado futuro de juros as apostas majoritárias já são de que novo ciclo de afrouxamento monetário vai começar mais tarde, em outubro, e não mais em agosto.

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