Investigações na Eletrobras devem dificultar venda de ativos

quarta-feira, 22 de junho de 2016 14:20 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - As investigações ainda em andamento sobre eventuais práticas de corrupção na estatal Eletrobras deverão dificultar ou atrasar planos do governo federal de vender ativos da companhia, dado o cuidado com que investidores têm analisado negócios que possam estar envolvidos em irregularidades, afirmaram especialistas à Reuters.

O novo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, já disse que a estatal deverá tentar vender principalmente suas distribuidoras de energia e fatias minoritárias em projetos de geração e transmissão, em uma tentativa de levantar caixa após acumular 34 bilhões de reais em prejuízos desde 2012.

O total a ser levantado pela Eletrobras com os desinvestimentos é incerto, mas a maior empresa do setor elétrico do país poderia vender participação em 49 projetos de geração operacionais, em um total de 12,8 gigawatts, ou pouco mais que a capacidade da mega hidrelétrica de Belo Monte, ainda em obras.

O problema é que as fatias nos maiores projetos, que poderiam gerar mais recursos, são justamente os ativos atualmente em investigação por auditorias internas ou no foco da operação Lava Jato, que apura esquema de pagamento de propina envolvendo empreiteiras e políticos, o que pode afugentar compradores.

"Nós não podemos. A gente não entra em uma aquisição de jeito nenhum se tiver o menor sinal (de suspeita de corrupção)", afirmou à Reuters o presidente-executivo de uma grande elétrica brasileira controlada por capital estrangeiro, sob a condição de anonimato.

Entre os ativos em geração passíveis de serem vendidos, cerca de 1,6 gigawatt são usinas eólicas e 11 gigawatts são hidrelétricas, que incluem participação em projetos de grande porte como as usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, e Teles Pires, no Mato Grosso.

"Uma empresa que não está envolvida nesses ativos, quando analisa, não tem condições de saber se a investigação acabou. O investidor potencial fica pensando: qual o fundo desse poço?", afirmou o sócio na área de Energia do TozziniFreire Advogados, Pedro Seraphim.

Em meio às investigações, a Eletrobras ainda não conseguiu quantificar eventuais perdas por corrupção em projetos. Dessa forma, a empresa não apresentou balanços auditados de 2014 e 2015 nos Estados Unidos e com isso teve suspensa a negociação de suas ações na Bolsa de Nova York, outra questão no radar dos investidores.   Continuação...