Venda de ativos não essenciais é parte da vida, diz CEO do BB

quinta-feira, 23 de junho de 2016 15:49 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A eventual venda de ativos não essenciais é parte das alternativas que um banco deve considerar para manter níveis saudáveis de capitalização, disse nesta quinta-feira à Reuters o presidente-executivo do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli.

"Redução de despesas, reavaliação do volume de crédito concedido a clientes, desfazer-se de ativos não essenciais e até ofertas subsequentes de ações são assuntos que fazem parte da vida de um banco", disse Caffarelli em resposta a uma pergunta sobre se o BB considera se desfazer de alguns ativos como parte dos esforços para manter seu nível de capitalização saudável.

"Em certos cenários, é preciso revisitar a estrutura de capital do banco", disse.

Ele não mencionou especificamente se o BB está avaliando atualmente a venda de algum ativo, nem se uma oferta de ações está nos planos do banco.

Além de deter uma fatia de cerca de 20 por cento na resseguradora IRB Brasil, que teve frustrado pela crise no ano passado seu plano de se listar na Bovespa com uma oferta secundária de ações, o BB tem 29 por cento da Cielo, assim como fatias na fabricante de implementos agrícolas Kepler Weber e na elétrica Neoenergia.

Com rentabilidade sobre o patrimônio líquido, que mede como um banco remunera o capital do acionista, ligeiramente acima de 10 por cento no primeiro trimestre, pouco mais que metade da média de rivais privados como Itaú Unibanco e Bradesco, o BB tem preocupado investidores quanto à capacidade de organicamente gerar resultados em nível suficiente para não depender de captitalização do governo federal.

Segundo Caffarelli, o BB trabalha com um cenário base de que não contará com ajuda do governo, controlador do banco.

Os bancos brasileiros vêm se movimentando para se enquadrar a regras de capital mais exigentes previstas no acordo de Basileia III, que entra em vigor plenamente no país em 2019.

Nesse quadro, o BB anunciou no começo do ano redução do percentual do lucro distribuído a acionistas, de 40 para 25 por cento.

(Por Aluísio Alves)