Pedido de recuperação judicial da Oi abala cadeia global de fornecedores

quinta-feira, 23 de junho de 2016 20:10 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O maior caso de pedido de recuperação judicial da história do Brasil está gerando impactos muito além das fronteiras do país atingido pela recessão, com a operadora Oi buscando proteção judicial contra credores de fornecedoras globais de telecomunicação e bancos de exportações do mundo todo.

A Oi está pedindo proteção em relação aos 500 milhões de reais em contas devidas a fornecedores internacionais, desde Nokia e Ericsson até IBM e Alcatel-Lucent, de acordo com documentos jurídicos vistos pela Reuters.

A maior operadora de telefonia fixa do Brasil também deve cerca de 1 bilhão de dólares para bancos de desenvolvimento na China, Finlândia, Canadá e Alemanha, que encorajaram exportações para o Brasil durante um recente aumento nas redes sem fio e de banda larga.

Embora estas dívidas sejam ofuscadas por mais de 17 bilhões de reais em empréstimos bancários e 34 bilhões de reais em títulos, elas podem criar dores de cabeça para provedores de equipamentos e serviços que já estão enfrentando dificuldades com a queda nos investimentos no país.

"O foco é manter a empresa operando. É isso que todos queremos", disse uma fonte próxima à empresa. "Obviamente você não quer afetar fornecedores, mas isto deve ser discutido no tribunal."

A Oi tem evitado fazer comentários públicos enquanto o juiz avalia a petição.

A empresa deveria ser o único grupo de telecomunicações no Brasil a aumentar seus investimentos este ano, disseram analistas do Credit Suisse Securities no mês passado, em uma nota que previa um fim ao recente ciclo de investimentos do setor, guiado pela tecnologia de quarta geração para aparelhos móveis.

A Oi investiu cerca de 1,2 bilhão de reais nos primeiros três meses do ano.

A questão que a Oi enfrenta agora é como pagar por equipamentos que já foram adquiridos, enquanto busca uma reorganização dentro do tribunal de 65,4 bilhões de reais em títulos, dívidas bancárias e responsabilidades operacionais.   Continuação...