Bovespa mergulha mais de 2% com decisão do Reino Unido por saída da UE

sexta-feira, 24 de junho de 2016 11:09 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Bovespa caía mais de 2 por cento na manhã desta sexta-feira, pressionada principalmente por ações ligadas a commodities, com a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia surpreendendo os mercados ao redor do mundo, que estavam se preparando nos últimos dias para uma escolha pela permanência.

Às 10h56, o Ibovespa recuava 2,4 por cento, a 50.341 pontos. O giro financeiro era de 1,64 bilhão de reais.

Com isso, investidores se voltavam para ativos considerados mais seguros e realizavam ajustes após os últimos pregões -- a Bovespa subiu quase 3 por cento na véspera com o mercado apostando em uma manutenção britânica na UE.

Para além do Reino Unido, a preocupação era sobre o futuro do bloco econômico, com possível fortalecimento do separatismo em outros países. O principal índice acionário europeu FTSEurofirst 300 recuava 5,23 por cento e, nos Estados Unidos, o S&P 500 perdia 2,3 por cento.

De acordo com o economista-chefe do Modalmais, Álvaro Bandeira, os impactos negativos para o Brasil são vários, uma vez que a instabilidade afeta preços de commodities, o câmbio, dificulta investimentos externos diretos e a tomada de empréstimos.

Com isso, a atenção se volta para qual será a ação de bancos centrais para tentar dar equilíbrio ao mercado. "Se os BCs tiverem uma ação coordenada e atuação de maior prudência, dando liquidez, pode ser que a situação se acalme", disse Bandeira. A avaliação também é de que o Federal Reserve tende a postergar uma alta do juro.

Contudo, parte do mercado já relativizava o impacto do resultado do referendo nos próximos dias. "Embora a decisão da votação deva pesar em preços de ativos de mercados emergentes ao longo dos próximos dias, o impacto econômico direto no mundo emergente deve ser menor do que muitos temem", disse a consultoria Capital Economics em relatório.

O HSBC afirmou que, uma vez que a poeira baixe, a decisão não deve ter um impacto continuado, ao menos para regiões fora da Europa central e oriental.   Continuação...