Com melhora na balança comercial, BC vê menor déficit em transações correntes em 2016

sexta-feira, 24 de junho de 2016 11:14 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central melhorou nesta sexta-feira novamente sua projeção para o déficit em transações correntes do Brasil para este ano, a 15 bilhões de dólares, 10 bilhões de dólares a menos do esperado até então, diante da balança comercial mais forte, ajudada pela fraqueza da economia.

Se confirmado, será o melhor resultado desde 2007, quando houve superávit de 408 milhões de dólares. No ano passado, o rombo na conta corrente do país ficou em 58,882 bilhões de dólares. Com o dólar mais alto frente ao real e com a atividade deprimida, as importações vêm caindo em ritmo acentuado. Num reflexo dessa dinâmica, o BC passou a ver superávit comercial de 50 bilhões de dólares neste ano, ante estimativa de 40 bilhões de dólares. O BC também ajustou as contas para o Investimento Direto no País (IDP) no ano, a 70 bilhões de dólares, acima dos 60 bilhões de dólares da última vez em que fez estimativas sobre as contas externas, em março. A queda do déficit em transações externas é positiva pois implica menor necessidade de financiamento internacional para a economia, deixando o país menos exposto à volatilidade dos mercados. MAIOAs transações correntes do Brasil fecharam maio com superávit de 1,2 bilhão de dólares, melhor desempenho para maio desde 2004 (1,437 bilhão de dólares). Apesar disso, o déficit em 12 meses subiu a 2,87 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), contra 2,63 por cento no mês anterior. Em pesquisa Reuters, a expectativa era de superávit maior, de 1,904 bilhão de dólares no mês. Por outro lado, os investimentos diretos no país (IDP) alcançaram 6,145 bilhões de dólares no mês passado, acima da projeção de analistas de 5,8 bilhões de dólares. O resultado das contas externas foi puxado principalmente pela balança comercial, positiva em 6,251 bilhões de dólares, contra superávit de 2,466 bilhões de dólares no mesmo mês do ano passado. O BC informou ainda que os gastos líquidos dos brasileiros em viagem ao exterior caíram 32 por cento na comparação anual, a 679 milhões de dólares em maio, enquanto as remessas de lucros e dividendos recuaram 12,3 por cento, a 1,706 bilhão de dólares. Nos cinco primeiros meses do ano, o déficit em transações correntes somou 5,966 bilhões de dólares, bem abaixo dos 35,325 bilhões de dólares de igual período de 2015.

(Por Marcela Ayres)