ENTREVISTA-Controlador da Tractebel se diz otimista com país, foca energia eólica e solar

sexta-feira, 24 de junho de 2016 14:49 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A crise política e econômica tem impacto momentâneo para o setor de energia do Brasil, que ganhará atratividade para investimentos nos próximos anos, principalmente em um contexto em que o país deverá mudar seu foco para projetos menores e de novas tecnologias, como geração eólica e solar, em detrimento das mega hidrelétricas, disse o presidente da elétrica francesa Engie no país.

Controladora da Tractebel, maior geradora privada do Brasil, a Engie buscará apoiar sua expansão no país em usinas eólicas, solares e hidrelétricas de médio porte, mas aposta também no gás natural e em instalações elétricas de pequeno porte, como placas solares em telhados de residências, comércios e indústrias --modalidade conhecida como geração distribuída.

"Agora a evolução do setor é para projetos com talvez menor capacidade... com esse barateamento da tecnologia solar, eólica, você acaba tendo outras possibilidades. Também vai ter um espaço grande para a geração descentralizada, e esse é outro tema em que estamos investindo", disse Maurício Bähr em entrevista à Reuters por telefone nesta sexta-feira.

Ele explicou que a guinada rumo a usinas menores, ante os projetos de hidrelétricas gigantes na Amazônia viabilizados na última década, deve ser fruto também de complicações na construção dessas usinas, que atrasaram e hoje buscam evitar perdas financeiras com ações na Justiça.

"Acho que são projetos que o país deve continuar buscando fazer... agora, do ponto de vista do investidor, foi muito doloroso o investimento", afirmo o executivo da companhia, que é majoritária na usina de Jirau em Rondônia.

Segundo ele, a Tractebel deverá participar dos próximos leilões do governo federal para contratação de novas usinas com empreendimentos eólicos e solares que somarão "algumas centenas de megawatts" em capacidade instalada.

"Não é nada pequeno, não... vamos continuar crescendo em energia eólica e fazer a mesma coisa na área solar... estamos trabalhando bastante para atrair outros fabricantes de painéis solares para o Brasil, porque queremos ver na área solar o mesmo desempenho da eólica, de atração de fabricantes, empregos", disse ele, sem dar detalhes sobre o valor do investimento.

Ele comentou que a empresa chegou a participar de um leilão de geração realizado em abril, que contratou usinas para início de operação em 2021, mas não conseguiu viabilizar projetos devido à baixa demanda.   Continuação...