Indústria de carne do Brasil não vê impacto imediato de saída do Reino Unido da UE

sexta-feira, 24 de junho de 2016 17:26 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os volumes de exportação de carne processada e in natura do Brasil para a União Europeia não devem sofrer impactos no curto prazo diante da decisão do Reino Unido de se retirar do bloco de países, avaliou o presidente da associação das indústrias exportadoras do setor, Abiec, Antonio Jorge Camardelli.

"Vamos ter que esperar um pouco as melancias se ajeitarem na carreta", disse Camardelli sobre o resultado do referendo divulgado nesta sexta-feira.

O Brasil é líder na exportação global de carne bovina e tem na União Europeia um importante mercado.

"Vamos ter de aguardar o processo de transição, mas não temos preocupação sobre isso no curto prazo, a Europa e o Reino Unido têm participação importante no consumo de carne industrializada. Como não estão saindo da OMC, seguramente no curto e no médio prazo vamos continuar parceiros."

A decisão de saída da União Europeia derrubou mercados de várias classes de ativos ao redor do mundo nesta sexta-feira e ações de grandes exportadores brasileiros de proteína animal mostraram perdas ao longo da sessão.

As ações da JBS, maior processadora de carne bovina, recuaram 3,5 por cento nesta sexta-feira, enquanto as da maior exportadora de carne de frango BRF tiveram queda de 3 por cento.

Procurada sobre o referendo do Reino Unido, a BRF afirmou em breve comunicado que "a companhia já realizou estudos sobre o assunto (saída do Reino Unido da UE), porém, é prematuro esmiuçá-lo neste momento".

Já a JBS afirmou que a decisão é "muito recente" e que vai avaliar se vai haver algum impacto para a empresa.

A BRF, que promove um esforço de internacionalização de suas atividade que inclui a Europa, concluiu em fevereiro deste ano a aquisição da Universal Meats, no Reino Unido, por 34 milhões de libras esterlinas. Em abril do ano passado, a empresa acertou uma joint venture com o grupo Invicta Food para distribuição de alimentos processados nos mercados britânico, além de Irlanda e Escandinávia.   Continuação...