Eventual unificação irlandesa deve ficar para depois, diz ministro

sábado, 25 de junho de 2016 13:46 BRT
 

DUBLIN (Reuters) - Uma unificação futura da Irlanda seria do melhor interesse dos seus cidadãos, mas realização de referendo, enquanto o governo britânico negocia sua saída da UE, só causaria divisão, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês Charlie Flanagan.

O vice-líder da Irlanda do Norte, Martin McGuinness, pediu na sexta-feira uma votação para se juntar à Irlanda. Mas o pedido foi repelido pela pró-britânica primeira-ministra Arlene Foster, bem como pelo primeiro-ministro irlandês Enda Kenny.

Pelo acordo de paz de 1998 que pôs fim a 30 anos de violência sectária, a secretário de Estado da Grã-Bretanha para a Irlanda do Norte pode chamar um referendo se parecer provável uma maioria de votos para formar uma Irlanda unida.

"Eu compartilho da visão de que, em algum momento no futuro, a unificação seria do melhor interesse do povo, mas apenas quando houver um consentimento da maioria do povo da Irlanda do Norte", disse Flanagan à emissora RTE.

"Temos agora uma situação após o referendo, onde o Reino Unido está deixando a UE. Quaisquer outros referendos na Irlanda do Norte causariam um maior nível de divisão do que temos agora e do meu ponto de vista, seria particularmente inútil."

A ministra da Grã-Bretanha para a Irlanda do Norte, Theresa Villiers, que fez campanha para a Grã-Bretanha sair da UE no referendo de quinta-feira, disse que não tinham sido reunidas as condições para a votação.

Mas McGuinness disse que o governo britânico não tinha mandato democrático para representar os pontos de vista do Norte, após 56 por cento dos eleitores da Irlanda do Norte optarem por permanecer na UE, enquanto 52 por cento do Reino Unido como um todo votou para sair.

Pesquisas de opinião têm mostrado pouco apetite dos eleitores em ambos os lados da fronteira para a unificação. A pesquisa da BBC/RTE em novembro constatou que 30 por cento dos eleitores na Irlanda do Norte gostariam de ver a Irlanda unida.

(Reportagem de Padraic Halpin)