Projeções para inflação e taxa básica de juros em 2016 sobem

segunda-feira, 27 de junho de 2016 10:09 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A expectativa para a alta dos preços neste ano continuou se deteriorando mesmo depois de a prévia da inflação oficial ter mostrado algum alívio em junho, e levou especialistas a elevarem a perspectiva para a taxa básica de juros em 2016.

Economistas de instituições financeiras elevaram pela sexta vez seguida sua projeção para a alta do IPCA em 2016 na pesquisa do Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, desta vez em 0,04 ponto percentual, a 7,29 por cento. A previsão supera o teto da meta do governo, de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais.

O IPCA-15 registrou alta de 0,40 por cento em junho, desacelerando ante 0,86 por cento em maio, porem em 12 meses ainda acumulou alta de 8,98 por cento.

Em relação a 2017 os economistas continuaram vendo a inflação a 5,50 por cento, dentro da meta para 2017, que é de 4,5 por cento com tolerância de 1,5 ponto.

Sob o comando agora de Ilan Goldfajn, o BC tem reforçado o compromisso de levar a inflação para o centro da meta oficial, mas sem especificar quando.

O Focus continua mostrando que os especialistas veem redução na taxa básica de juros este ano, porém agora em menor magnitude, com a força dos preços e expectativas em torno da pressão dos alimentos mantendo o sinal de alerta.

Para a Selic, que atualmente está a 14,25 por cento, a expectativa é que encerre 2016 a 13,25 por cento, contra 13 por cento na semana anterior. Para 2017, entretanto, a projeção caiu a 11 por cento, sobre 11,25 por cento.

O Top 5 --grupo que mais acerta as projeções no Focus-- não mudou suas contas, mas vê a taxa básica em níveis acima, de 13,75 por cento em 2016 e de 11,25 por cento no ano que vem.

O levantamento foi fechado na sexta-feira, dia em que saiu o resultado do referendo em que o Reino Unido decidiu deixar a União Europeia, e não reflete as expectativas dos analistas considerando esse acontecimento.   Continuação...

 
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília
23/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino