BC vê retração inédita do estoque de crédito livre em 2016 diante da fraca economia

segunda-feira, 27 de junho de 2016 13:15 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Diante do cenário de recessão, desemprego e inflação elevada, o Banco Central passou a ver retração de 1 por cento no estoque de crédito livre no país em 2016 que, se confirmado, será o primeiro resultado negativo da série histórica iniciada em março de 2007.

Até então, o BC calculava que haveria expansão de 2 por cento nesta modalidade, depois de ter crescido 3,88 por cento no ano passado. A expansão do estoque de crédito livre --que tem direcionamento livre pelas instituições financeiras-- chegou ao auge em 2008, quando saltou mais de 30 por cento.

Em projeções divulgadas nesta segunda-feira, o BC também ajustou sua perspectiva para o crédito direcionado, enxergando crescimento de 3 por cento no ano, contra 7 por cento antes.

Com isso, a previsão para a expansão do estoque total de crédito no país foi reduzida a apenas 1 por cento em 2016, contra 5 por cento antes. Se confirmado, também será o pior desempenho histórico.

Em coletiva de imprensa, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, atribuiu a drástica revisão ao baixo dinamismo da economia e ao frágil desempenho do crédito nos primeiros cinco meses de 2016.

No acumulado do ano até maio, o estoque total de crédito sofreu queda de 2,3 por cento, com desempenhos negativos de janeiro a abril. Em maio, houve interrupção dessa sequência, mas com crescimento modesto, de apenas 0,1 por cento sobre o mês anterior, a 3,145 trilhões de reais, equivalentes a 52,4 por cento do PIB.

Nesta segunda, o BC calculou que essa relação encerrará o ano em 52 por cento do PIB, sobre previsão anterior de 54 por cento.

A autoridade monetária também cortou suas estimativas para a expansão do estoque pelo critério de instituições bancárias. Agora, prevê que a alta em bancos públicos será de 4 por cento, contra 8 por cento anteriormente. Nos bancos privados nacionais, o estoque deverá cair 4 por cento, ante recuo de 1 por cento antes. Já nos privados estrangeiros, a expansão deverá ser de 1 por cento, contra 4 por cento.   Continuação...

 
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília
23/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino