Desfiliação britânica da UE volta a abalar mercados; caos político aumenta

segunda-feira, 27 de junho de 2016 18:13 BRT
 

Por Kylie MacLellan e Anirban Nag

LONDRES (Reuters) - A decisão britânica de sair da União Europeia sacudiu novamente os mercados financeiros nesta segunda-feira, com a libra esterlina recuando apesar das tentativas dos líderes britânicos de apaziguar o tubulência político e econômica que o rompimento despertou.

O ministro britânico das Finanças, George Osborne, disse nesta segunda-feira que a economia do Reino Unido é forte o suficiente para lidar com a volatilidade causada pelo referendo de quinta-feira, que foi o maior golpe ao objetivo europeu de forjar uma unidade maior desde a Segunda Guerra Mundial.

Mas suas palavras não conseguiram deter o tombo da libra esterlina para o nível mais baixo em relação ao dólar em 31 anos, dando continuidade ao recuo iniciado na semana passada, quando os britânicos contrariaram as expectativas dos investidores e votaram por encerrar a filiação de 43 anos à UE.

As ações dos bancos europeus tiveram a pior queda em dois dias que se tem registro e as ações mundiais, de acordo com o índice MSCI, estão a caminho de sua pior queda de dois dias desde o colapso do Lehman Brothers em 2008.

Com o Partido Conservador em busca de novo líder após o anúncio da renúncia do primeiro-ministro britânico, David Cameron, na sexta-feira e os legisladores do opositor Partido Trabalhista intensificando uma rebelião contra seu líder, Jeremy Corbyn, o Reino Unido mergulhou ainda mais no caos político e econômico.

"Não há liderança política no Reino Unido justamente no momento em que os mercados precisam ser assegurados de uma direção", disse Luke Hickmore, da consultoria Aberdeen Asset Management, expressando a visão de muitos da City de Londres, o centro financeiro da nação.

Cameron prometeu continuar como interino até outubro, e diz que seu sucessor deveria dar início ao processo formal de desfiliação da UE. No parlamento, os conservadores recomendaram escolher seu substituto até o final de setembro.

O premiê procurou amenizar os temores a respeito das consequências do referendo e opinou que o Parlamento não deveria tentar bloquear o rompimento do país com o bloco. A maioria dos parlamentares, como ele, defendia a permanência britânica.

"Estou sendo claro, e o gabinete concordou hoje de manhã, que a decisão precisa ser aceita", afirmou Cameron ao parlamento, que também enfrenta uma petição pública por um novo referendo.

 
Bandeiras da União Europeia e Reino Unido em território de Gibraltar.  27/6/2016. REUTERS/Jon Nazca