DIs curtos sobem após BC adotar tom duro; curva praticamente elimina chance de corte da Selic em agosto

terça-feira, 28 de junho de 2016 10:07 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos de juros futuros mais curtos tinham forte alta nesta terça-feira, praticamente eliminando as chances indicadas pela curva de corte da Selic em agosto, após o Banco Central aumentar sua projeção de inflação para este ano e informar que buscará mantê-la dentro dos limites da meta do governo em 2016.

Com isso, cresceram ainda mais as chances de que o afrouxamento monetário só comece em outubro, com a curva mostrando a Selic terminando o ano a 13,25 por cento frente aos atuais 14,25 por cento. Já os DIs mais longos recuavam, refletindo a recuperação dos mercados globais após dois dias de mau humor provocado pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE).

"É uma comunicação mais dura, deixa claro que o BC só vai discutir corte de juros concretamente quando tiver certeza de que a inflação está na direção correta", disse o operador da corretora Renascença Thiago Castellan Castro.

O BC informou no Relatório de Inflação que elevou a projeção de alta do IPCA neste ano a 6,9 por cento, mas que buscará deixá-la dentro da meta oficial --de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Sobre 2017, o BC reduziu suas contas sobre a inflação, a 4,7 por cento, e que pretende trazê-la para o centro do objetivo. Reiterou ainda que não vê espaço para cortes de juros no curto prazo.

O DI para julho de 2017 era negociado a 13,15 por cento nesta manhã, após fechar a 12,98 por cento na sessão anterior. Já o contrato para janeiro de 2023 perdia 0,12 ponto percentual, a 12,29 por cento.

Até a véspera, os DIs vinham mostrando chances levemente majoritárias de a Selic começar a ser reduzida em outubro, com chances menores de que isso acontecesse em agosto. Nesta sessão, a curva passou a indicar dois cortes de 0,50 ponto percentual na taxa a partir de outubro, praticamente acabando com as chances de redução na reunião anterior.

Investidores aguardavam agora a primeira entrevista coletiva de Ilan Goldfajn como presidente do BC, às 11:00 (horário de Brasília) em busca de mais pistas sobre a estratégia da autoridade monetária.

"Ao que parece, quem estava apostando que o Ilan seria mais tolerante com a inflação vai precisar rever essa avaliação", disse o sócio-gestor da Absolute Investimentos Renato Botto.   Continuação...