BC vê mais inflação em 2016 e reafirma que não há espaço para cortar juros

terça-feira, 28 de junho de 2016 10:22 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central piorou seu cenário de inflação para 2016, diante de maior pressão de alimentos, mas melhorou sua perspectiva para 2017 ainda que não esteja no centro da meta oficial, segundo Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta terça-feira, pelo qual reafirmou que não há condições de reduzir a taxa básica de juros ainda.

Pelo documento, o BC passou a ver que o IPCA subirá 6,9 por cento em 2016, acima da conta anterior de 6,6 por cento, mas que a alta perderá força e fechará 2017 em 4,7 por cento, 0,2 ponto percentual a menos do que a projeção anterior. O BC também apontou o IPCA em 4,2 por cento no segundo trimestre de 2018, tudo pelo cenário de referência.

Os cenários colocados pelo BC foram considerados, de modo geral, mais duros e levaram parte dos especialistas e o mercado financeiro a verem início de afrouxamento dos juros mais tarde.

O documento, o primeiro sob a gestão do atual presidente do BC, Ilan Goldfajn, ressaltou o compromisso do Comitê de Política Monetária (Copom) com a inflação no centro da meta em 2017 --de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual-- e que buscará deixá-la dentro da margem de tolerância neste ano, de dois pontos. Até então, Ilan não mencionava prazos.

O cenário de referência considera a manutenção do dólar em 3,45 reais e da Selic atual, de 14,25 por cento ao ano, no horizonte de previsão.

O mercado aguardava o relatório com ansiedade em busca de pistas mais concretas da política monetária orquestrada por Ilan, principalmente quanto ao início do ciclo de afrouxamento da Selic, que segue inalterada desde julho do ano passado.

Em suas últimas comunicações, tanto o ex-presidente do BC Alexandre Tombini quanto diretores da autarquia enfatizaram não haver espaço para flexibilização da política monetária, frase também presente no atual relatório.

"O Comitê buscará circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN em 2016 e adotará as medidas necessárias de forma a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento, em 2017", trouxe o documento. "Dessa forma, o cenário central não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias", complementou.   Continuação...