ESPECIAL-Polo de pesquisas no Rio busca diversificação além do petróleo

terça-feira, 28 de junho de 2016 16:29 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em um dia quente típico de dezembro na cidade sede dos jogos olímpicos, a multinacional de tecnologia EMC lançou em 2011 a pedra fundamental de seu centro de pesquisas na área de petróleo, sem imaginar que poucos anos depois teria que diversificar devido a uma crise da indústria petrolífera, que reduziu vertiginosamente seus investimentos em inovação.

A surpresa não veio apenas para a EMC, mas também para diversas empresas gigantes de petróleo que se instalaram ao seu lado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no embalo das descobertas do pré-sal e dos preços mais altos do petróleo no passado.

Mas o diretor-executivo do Parque Tecnológico, José Carlos Pinto, busca formas de evitar que o empreendimento seja mais uma das vítimas da crise do setor de óleo e gás e foca na diversificação, agora que a Petrobras enfrenta uma crise e investe bem menos e os preços do petróleo estão abaixo da metade do que valiam há dois anos.

"O foco inicial nesse setor (de petróleo) em particular... faz todo o sentindo do mundo... o setor foi importante, é importante... Mas eu entendo que desde o início o parque nunca foi pensado em um parque temático de óleo e gás", disse Pinto à Reuters.

O polo tecnológico, que juntamente com a UFRJ já recebeu estimados cerca de 2 bilhões de reais em investimentos, sendo a maior parte da indústria petrolífera, agora aguarda a conclusão das obras da empresa de cosméticos L'Oréal e da de bebidas Ambev, cujos prédios já começam a ganhar forma.

Além disso, há tratativas avançadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das mais importantes instituições de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, arrendar uma das últimas áreas disponíveis no local.

Enquanto isso, empresas com foco em petróleo que lá se instalaram, como as norte-americanas Baker Hughes, Schlumberger, Halliburton e FMC, enfileiram-se em quarteirões recém-construídos e dividem o amargor da capacidade ociosa, pressionados pela cotação do petróleo, de acordo com especialistas ouvidos pela Reuters.

"Escolheu-se o Brasil pelas condições do pré-sal, pelo que a Petrobras representa para o setor... os eventos que estavam acontecendo no Rio, toda visibilidade que a cidade trazia justificava colocar o centro de pesquisa aqui", afirmou à Reuters o diretor de operações da EMC, Fred Arruda.   Continuação...