Gastos do consumidor nos EUA sobem e referendo britânico deixa cenário econômico incerto

quarta-feira, 29 de junho de 2016 13:56 BRT
 

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - Os gastos dos consumidores nos Estados Unidos subiram pelo segundo mês consecutivo em maio devido ao aumento da demanda por automóveis e outros bens, mas há temores de que a decisão britânica por deixar a União Europeia (UE) possa afetar a confiança e levar as famílias a reduzirem o consumo.

O relatório forte divulgado nesta quarta-feira pelo Departamento do Comércio indica uma aceleração no crescimento econômico no segundo trimestre.

Mesmo assim, economistas estão preocupados que a turbulência financeira após o referendo britânico possa afetar a confiança do consumidor e levar as famílias a economizar mais ao invés de elevar os gastos devido ao cenário econômico incerto.

Os gastos dos consumidores, que representam mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, subiram 0,4 por cento no mês passado, depois de avançarem 1,1 por cento em abril. Quando ajustados para a inflação, os gastos aumentaram 0,3 por cento depois do ganho de 0,8 por cento em abril.

Apesar dessa leitura favorável, a decisão britânica de sair da UE tornou pouco provável que o Federal Reserve, banco central norte-americano, eleve a taxa de juros em breve, disseram economistas. A chair do Fed, Janet Yellen, disse a parlamentares na semana passada que o banco central precisa ter certeza de que não haverá choques como consequência do resultado do referendo britânico antes de apertar mais a política monetária.

Apesar dos ganhos nos gastos do consumidor, a inflação continua benigna. O núcleo do índice de preços PCE, excluindo os voláteis componentes de alimentos e energia, avançou 0,2 por cento no mês passado, após alta similar em abril.

O núcleo do PCE é a medida de inflação preferida pelo Federal Reserve, banco central norte-americano, e está abaixo da meta de 2 por cento.

Relatório separado da Associação Nacional de Corretores mostrou que os contratos para comprar moradias usadas caíram 3,7 por cento em maio após alta acumulada de 8,9 por cento nos três mês anteriores.