Sindicatos resistem a privatizações em energia, apesar de otimismo do mercado

quarta-feira, 29 de junho de 2016 16:41 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Os primeiros movimentos do governo interino sobre a política a ser adotada para o setor de energia do Brasil, com foco em venda de ativos de gigantes estatais como a Eletrobras, têm gerado otimismo no mercado, mas acenderam sinal de alerta entre os sindicatos de trabalhadores.

Enquanto os investidores se animam com a possibilidade de uma série de privatizações em energia que poderiam atingir proporções não vistas desde um amplo programa de venda de estatais brasileiras nos anos 90, as federações sindicais prometem resistir como puderem, realizando grandes greves.

Atualmente, os sindicalistas já estudam realizar paralisações na Eletrobras na próxima semana, em meio a uma negociação salarial junto à estatal que inclui também críticas aos planos de desinvestimentos da empresa.

"A gente é contrário, veementemente contrário... se mexer com as empresas, falar que vai privatizar, fatalmente vamos fazer greve por tempo indeterminado", afirmou à Reuters o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia (Fenatema), Eduardo de Vasconcellos, o "Chicão".

Ele disse que a Fenatema já demonstrou essa posição em uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, mesmo tendo entre seus filiados a Força Sindical, que apoia o governo.

As ameaças dos sindicatos de trabalhadoras, no entanto, não estão por ora no foco do mercado, que observa com otimismo o discurso pró-privatização e a nomeação de técnicos de renome para cargos importantes no setor de energia.

Tais fatores ajudaram a impulsionar uma disparada de mais de 50 por cento nas ações ordinárias da Eletrobras desde que Michel Temer assumiu interinamente.

A elétrica federal, vista por especialistas como vítima de longa data da interferência política no setor elétrico, acumula mais de 34 bilhões de reais em prejuízos desde 2012, quando aceitou uma queda de receitas no âmbito de um plano do governo federal para reduzir as tarifas de energia e incentivar a indústria.   Continuação...