Favorecido por meta de déficit maior, governo Temer anuncia gastos extras

quarta-feira, 29 de junho de 2016 19:52 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo do presidente interino Michel Temer abriu o cofre nas últimas semanas, e vem anunciando gastos extras e a liberação de recursos, favorecido pela aprovação pelo Congresso de um déficit fiscal recorde de 170,5 bilhões de reais.

Os gastos extras, que favorecem desde a área social a emendas parlamentares, estão sendo liberados antes da limitação do calendário imposta pela legislação eleitoral.

Em 48 dias de governo –tempo frisado pelo presidente interino na cerimônia desta quarta-feira para anúncio de reajuste do programa Bolsa Família –, o Planalto já autorizou que o Congresso aprovasse reajustes de servidores públicos que terão um impacto de 67,7 bilhões de reais na folha de pagamentos até 2018, de acordo com os últimos cálculos do Ministério do Planejamento.

Além disso, renegociou a dívida dos Estados, com um custo adicional de 20 bilhões de reais apenas este ano, reajustou o Bolsa Família e ampliou programas como o Financiamento Estudantil.

“A meta fiscal que foi reprogramada por esse governo favoreceu ampliar a execução orçamentária”, reconheceu o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, em entrevista nesta quarta-feira, depois do anúncio de um reajuste de 12,5 por cento para o programa Bolsa Família, que terá um custo de 1 bilhão de reais este ano, 2,1 bilhões de reais a partir de 2017.

“Quando se anuncia o reajuste fica claro que o governo Temer não considera a questão social como causadora do déficit fiscal. Não podemos, em nome do ajuste, não dar reajuste para um programa que trabalha com pessoas extremamente pobres. Não é isso que vai fazer o ajuste fiscal”, afirmou o ministro.

A resposta oficial a todas as perguntas sobre o aumento de gastos é de que as despesas já estavam previstas no Orçamento. Seja na renegociação da dívida dos Estados, seja no reajuste dos servidores ou no do Bolsa Família.

Ao anunciar a renegociação da dívida, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a renúncia de 20 bilhões de reais para este ano já estava calculada no déficit. Quando negociou a aprovação do reajuste dos servidores, o então ministro do Planejamento Romero Jucá também garantiu que os recursos estavam já previstos no Orçamento de 2016.   Continuação...

 
Presidente interino Michel Temer durante cerimônia de anúncio do reajuste do Bolsa Família no Palácio do Planalto 29/06/2016. REUTERS/Adriano Machado