30 de Junho de 2016 / às 14:42 / em um ano

Oi vai discutir com credores estratégias para dívida na próxima semana, diz CEO

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo de telecomunicações Oi pretende se reunir com detentores de bônus e bancos credores na próxima semana para voltar a discutir estratégias para equacionamento de sua dívida, após o pedido de recuperação judicial da companhia aceito na quarta-feira pela Justiça do Rio de Janeiro, afirmou o presidente-executivo da empresa, Marco Schroeder.

Segundo ele, entre as alternativas que a empresa levará aos credores enquanto inicia a preparação do plano de recuperação judicial a ser apresentado à Justiça nos próximos 60 dias estão propostas de corte no valor principal da dívida (haircut), alongamento de prazos e conversão de parte dos débitos em ações do grupo.

Ele não forneceu detalhes sobre os termos de reestruturação de dívida que a Oi pretende levar para discussão com os credores.

Venda de ativos no Brasil por ora está descartada, diante da complementariedade das operações de telefonia fixa, móvel e banda larga da empresa. Porém, a opção de venda dos ativos africanos estará incluída no plano de recuperação, afirmou Schroeder à Reuters por telefone nesta quinta-feira.

“Não acredito em venda de ativo aqui no Brasil porque são integrados. Talvez os ativos no exterior porque continuamos com operações na África e em Timor (Leste). Tem alguns interessados. O plano deve contemplar possivelmente a venda desses ativos”, disse Schroeder.

Nesta quinta-feira, a agência de notícias Lusa publicou que o empresário timorense Nilton Gusmão está perto de fechar a compra dos ativos da Oi em Timor Leste, e citou fontes afirmando que a operação rondaria os 45 milhões de dólares, incluindo 25 milhões de dólares em dívida.

Schroeder disse que há interessados nos ativos em Timor Leste, sem entrar em detalhes.

No caso da Unitel, o presidente da Oi lembrou que há um processo de arbitragem em Paris envolvendo pagamentos de dividendos da empresa angolana para a Oi, que possui 25 por cento da companhia africana.

“Já tivemos negociações para vender a Unitel, mas nunca houve entendimento sobre o preço”, afirmou.

Os acionistas controladores da Unitel são a empresária angolana Isabel dos Santos, filha do presidente do país e mulher mais rica da África, o grupo angolano Sonangol, o fundo Helios e a Oi, por meio da PT Ventures, cada um com 25 por cento.

Schroeder negou que a Oi tenha mantido contatos recentes com o magnata egípcio Naguib Sawiris, que afirmou à Bloomberg dias atrás que está pronto para investir na empresa brasileira se ela concordar com uma reestruturação, obter capital novo e preparar um forte plano de recuperação.

“Ele não teve contato com a Oi ainda”, afirmou o executivo.

O presidente da Oi elogiou a decisão do juiz do processo de recuperação do grupo que deu à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prazo de cinco dias para indicar até cinco empresas especializadas para serem avaliadas para o papel de administrador judicial da empresa.

Na quarta-feira, o presidente da Anatel, João Rezende, e o secretário de telecomunicações do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, André Borges, afirmaram que o governo não está vendo necessidade em intervenção na Oi no curto prazo diante da continuidade dos serviços prestados pela operadora.

As ações ordinárias da Oi exibiam queda de 4,57 por cento às 11:35. Desde a apresentação do pedido de recuperação judicial, em 20 de junho, até o dia 29, os papéis acumularam valorização acima de 55 por cento.

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