Governo fixa meta de inflação para 2018 em 4,5% pelo IPCA, com margem de 1,5 p.p

quinta-feira, 30 de junho de 2016 19:32 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou a meta de inflação de 2018 em 4,5 por cento pelo IPCA, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, mesmo objetivo a ser perseguido em 2017, divulgou o Ministério da Fazenda nesta quinta-feira.

O centro da meta de inflação segue no patamar de 4,5 por cento desde 2005, quando a banda era de 2,5 pontos percentuais. A margem de 2 pontos passou a valer em 2006, mas no ano passado o CMN estabeleceu para 2017 uma banda mais estreita, de 1,5 ponto.

"Membros do Conselho avaliaram a conjuntura doméstica e externa e há de fato muita incerteza no ambiente econômico atualmente. Chegaram à conclusão de que era oportuno manter a meta em 4,5 por cento, com 1,5 ponto de tolerância", afirmou o secretário de Política Econômica da Fazenda, Carlos Hamilton.

Em coletiva de imprensa, ele acrescentou que, diante do cenário, os membros avaliariam que "seria oportuno focar em convergir a inflação para a meta".

Segundo Hamilton, a decisão foi unânime e não houve debate sobre a fixação de uma meta menor de inflação para 2018.

No entanto, uma importante fonte da equipe econômica disse à Reuters que a alternativa chegou a ser discutida, mas prevaleceu a leitura de que a economia segue fraca e que, diante disso, seria melhor dar foco à entrega de resultados.

O cenário no país ainda é de inflação muito elevada, o que acaba tirando espaço para o governo reduzir suas metas à frente para não exigir juros altos por mais tempo e afetar a economia em recessão.

Na avaliação do economista-chefe da Haitong Securities do Brasil, Jankiel Santos, a investida do CMN foi a decisão mais acertada, considerando o não cumprimento da meta de inflação em anos passados e a complexidade do panorama atual, com indefinições fiscais e incertezas no cenário externo.   Continuação...