Ser Educacional vai contestar concentração de mercado após compra de Estácio por Kroton

sexta-feira, 1 de julho de 2016 16:47 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Ser Educacional vai contestar a compra da Estácio Participações pela Kroton e usar os meios legais cabíveis para que a legislação que regula concentrações de mercado seja cumprida, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto nesta sexta-feira.

A companhia, menor que Estácio e Kroton, tinha anunciado nesta semana elevação da oferta para união com a Estácio, que nesta sexta-feira informou que seu Conselho de Administração aceitou termos melhorados da proposta da Kroton, atual líder do setor, com mais de 1 milhão de alunos.

"Não faz sentido a aprovação de uma operação como esta sem que os remédios definidos pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sejam efetivos e que resultem na possibilidade de desconcentração", disse a fonte sobre o anúncio do negócio avaliado em 5,5 bilhões de reais e que vai unir a primeira e a segunda maiores empresas de educação superior privada do país.

A Ser pretende ser muito ativa na contestação da operação e vai buscar apoio junto ao Ministério Público para bloquear o negócio, disse a fonte, que pediu para não ser identificada.

Antes de convocar assembleia de acionistas sobre o negócio, o conselho da Estácio se reunirá em 8 de julho para avaliar a proposta da Kroton, dia em que expira a nova proposta da Ser, que prevê pagar 1 bilhão de reais aos acionistas da Estácio, que ficariam com a maior parte da empresa combinada.

Agora, a Ser vai aguardar o melhor momento para formalizar a desistência da oferta à Estácio, disse a fonte.

Segundo a fonte, instituições de ensino contatadas antes pela Ser para possíveis aquisições passaram a mostrar interesse em aliança com a empresa para contrapor a união Estácio/Kroton.

"Elas procuraram a Ser para compor uma instituição que seja contraponto da gigante, que pode passar por cima de todo mundo", disse a fonte, acrescentando que, juntas, Kroton e Estácio, terão uma fatia de 50 por cento do mercado no ensino a distância do país e de 23 por cento no ensino presencial.

(Por Juliana Schincariol)