Projeção para inflação em 2016 cai após 6 altas seguidas

segunda-feira, 4 de julho de 2016 09:08 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Economistas de instituições financeiras melhoraram a projeção para a inflação neste ano após seis semanas e reduziram a perspectiva para o dólar frente ao real, mas deixaram inalterado o cenário para a taxa básica de juros depois que o Banco Central reafirmou que não há condições de reduzir a Selic ainda.

A projeção para a alta do IPCA em 2016 caiu em 0,02 ponto percentual e agora é de 7,27 por cento, de acordo com a pesquisa Focus do BC divulgada nesta segunda-feira, superando o teto da meta do governo, de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais. Essa foi a primeira queda da expectativa depois de seis altas seguidas.

Para o ano que vem, a projeção de inflação caiu a 5,43 por cento, depois de seis semanas em 5,50 por cento, dentro da meta para 2017, que é de 4,5 por cento com tolerância de 1,5 ponto.

Em relação ao dólar, a pesquisa com uma centena de economistas vê a moeda norte-americana terminando este ano a 3,46 reais, sobre 3,60 reais anteriormente, enquanto em 2017 ela é projetada a 3,70 reais, ante 3,80 reais.

Na semana passada, o BC piorou seu cenário de inflação para 2016 a 6,9 por cento, mas melhorou sua perspectiva para 2017 a 4,7 por cento, de acordo com seu Relatório de Inflação.

Os cenários apresentados pelo BC foram considerados, de modo geral, mais duros e levaram parte dos especialistas e o mercado financeiro a verem o início do afrouxamento dos juros mais tarde.

No Focus, os especialistas consultados calculam que a taxa básica de juros, atualmente em 14,25 por cento, terminará este ano a 13,25 por cento e 2017 a 11 por cento, sem alterações.

Porém o Top 5 --grupo que mais acerta as projeções no Focus-- cortou a expectativa para a taxa básica de juros em 2016 a 13,50 por cento, de 13,75 por cento. Para o ano que vem, o corte da projeção foi mais acentuado, com a expectativa caindo a 10,50 por cento, contra 11,25 por cento antes.

Para a economia, o levantamento apontou uma queda menor este ano e a estimativa agora é que o Produto Interno Bruto (PIB) recue 3,35 por cento, contra queda de 3,44 por cento projetada anteriormente. A recuperação prevista para 2017 continua sendo de 1 por cento.

(Por Camila Moreira)