Parceiros indianos da Petrobras lutam contra atraso de projeto em Sergipe

segunda-feira, 4 de julho de 2016 13:10 BRT
 

Por Jeb Blount e Nidhi Verma

RIO DE JANEIRO/NOVA DÉLHI (Reuters) - A Petrobras alertou seus parceiros indianos em um grande projeto marítimo que não esperem produção de petróleo no local até 2022, de acordo com fontes, em um novo sinal de como os preços baixos da commodity, o escândalo de corrupção envolvendo a estatal e suas enormes dívidas estão prejudicando o setor de energia do Brasil.

O atraso de quatro anos, que não havia sido noticiado anteriormente, em uma gigante descoberta na costa de Sergipe está forçando a indiana Oil and Natural Gas Corp (ONGC) e a IBV Brasil Petroleo a buscarem novas maneiras de acelerar o projeto liderado pela Petrobras, que já custou 2,1 bilhões de dólares a elas, sem nenhum retorno em vista.

O atraso e a pressão dos parceiros indianos são apenas alguns dos muitos desafios do novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, nomeado pelo presidente interino Michel Temer no fim de maio, em meio à atual crise financeira.

Devido a um enorme escândalo de corrupção e propina e a dívidas de 126 bilhões de dólares da Petrobras, Parente se comprometeu a administrar a empresa de maneira mais amigável ao mercado, mas não quis comentar sobre projetos individuais. Ele também prometeu para até o fim de outubro uma revisão do plano de investimentos, embora não esteja claro se isso solucionará o impasse na costa de Sergipe.

Em abril, a Petrobras disse à IBV, uma joint venture em partes iguais entre a estatal Bharat Petroleum Corp e a empresa privada Videocon Industries Inc, que não haverá produção de petróleo em Sergipe "até pelo menos 2022", disse um executivo da IBV à Reuters. Um ano atrás, a Petrobras prometeu a primeira extração de petróleo para 2018.

Na esperança de acelerar o desenvolvimento, a IBV disse à Reuters que havia se oferecido para conseguir 10 bilhões de dólares em empréstimos de bancos de desenvolvimento da Índia e internacionais para financiar o projeto de Sergipe --a principal área de prospecção de petróleo do Brasil fora da região do pré-sal próxima ao Rio de Janeiro, na qual o Brasil está depositando suas esperanças de independência energética.

"É uma estrutura de empréstimos comum e simples, se a Petrobras está desejando fornecer produção futura como garantia, não terá que pagar um centavo até que o petróleo comece a fluir, algo que nós talvez poderíamos fazer em 2020", disse o executivo da IBV.

"Mas nós temos a sensação que a Petrobras ainda tem que aceitar suas novas circunstâncias mais restritas", disse o executivo.   Continuação...

 
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro
21/03/2016 REUTERS/Sergio Moraes