Gol está satisfeita com adesão à oferta de troca de dívida; vê ajuda do câmbio

segunda-feira, 4 de julho de 2016 11:48 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A companhia aérea Gol viu com otimismo a adesão de cerca de 20 por cento do total de detentores de bônus à sua oferta de troca de dívida, mas continuará avaliando o mercado para equacionar sua situação financeira no médio prazo, afirmou nesta segunda-feira o vice-presidente financeiro da empresa, Edmar Lopes Neto.

Questionado por jornalistas sobre a baixa adesão de investidores à operação de troca de bônus, Lopes afirmou que a volatilidade do cenário cambial pode ter impactado na decisão dos credores. Ele acrescentou que a valorização do real contra o dólar nos últimos seis meses gerou redução de 1,4 bilhão de reais no estoque da dívida da Gol. Segundo ele, 50 por cento das despesas da Gol, como combustível, são atreladas ao dólar.

"Daqui pra frente basicamente vamos continuar olhando o mercado para ver que alternativas teremos no médio prazo para equacionar a situação da dívida como um todo", afirmou o executivo, após o anúncio da conclusão da permuta. A empresa informou mais cedo que a oferta de permuta, que previa uma redução de até 70 por cento no valor da face dos papéis, teve adesão de 174,7 milhões de dólares de um total de 780 milhões pretendidos pela companhia.

"No cenário atual, é relevante, sim, conseguirmos 100 milhões de dólares em redução de dívida", disse Lopes, acrescentando, porém, que vê impactos pequenos e administráveis na negociação paralela de dívidas da empresa com bancos brasileiros e empresas de leasing de aeronaves. Ele não deu detalhes sobre estas discussões, mas informou que a empresa está buscando 300 milhões de reais em dinheiro novo e deve dar notícias a respeito ainda neste mês.

As ações da Gol tinham recuo de 0,6 por cento às 11h45, enquanto o índice de Small Caps, no qual estão listadas, avançava 1,4 por cento.

Na visão do gestor Eduardo Roche, da Canepa Asset Managemente, o resultado poder ser considerado bom porque ajuda na desalavancagem da empresa e destrava negociações de dívida junto a bancos, mas ficou também a sensação de que era para ter sido melhor. "A adesão foi menor do que se comentava no mercado".

CAIXA

Para Lopes, a situação do caixa da Gol "continua desafiadora e está longe de ser resolvida". Ao final do primeiro trimestre, a empresa tinha 1,8 bilhão de reais em caixa, uma queda de 21 por cento sobre o final do ano passado. O total de empréstimos e financiamentos caiu 15 por cento na mesma comparação, para 7,9 bilhões de reais, dos quais 837 milhões vencem no curto prazo.   Continuação...