Fonte hídrica perde força e deve cair para 35% da matriz elétrica até 2050, diz EPE

segunda-feira, 4 de julho de 2016 17:14 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil reduziu fortemente a expectativa para expansão da geração hidrelétrica de energia e agora vê uma importante queda da participação dessas usinas na capacidade instalada do país nas próximas décadas, em contraste com um acelerado crescimento esperado para as fontes eólica e solar, segundo dados de estudo inédito do governo vistos pela Reuters.

As projeções do governo apontam para um cenário em que a geração de eletricidade pela fonte hídrica representará cerca de 35 por cento da capacidade em 2050, ante os 61 por cento atuais.

Os dados constam de material da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão de planejamento do Ministério de Minas e Energia.

As fontes solar e eólica, enquanto isso, deverão disparar para quase 30 por cento da matriz elétrica em 2050, frente aos cerca de 6 por cento agora.

Os números são preliminares e fazem parte do Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050), ainda em desenvolvimento na EPE, que marcará uma significativa guinada frente ao planejamento de longo prazo anterior, que ia até 2030 e apontava para um forte crescimento da geração hídrica.

Para 2030, o PNE 2050 prevê que as hídricas representem cerca de 55 por cento da capacidade instalada de geração de eletricidade no Brasil. O plano anterior apontava para quase 70 por cento de energia via fonte hídrica naquele mesmo ano.

Para o professor Edmar de Almeida, do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ficou mais caro e difícil construir hidrelétricas no Brasil desde que o último plano de longo prazo do setor foi lançado, em 2007.

"As bacias hidrográficas que ainda não foram exploradas estão na região amazônica, em áreas de alta sensibilidade ambiental, e também a aceitação social dessas usinas no Brasil vem caindo... Hoje há uma grande dificuldade em desenvolver projetos hídricos", afirmou.   Continuação...