Instabilidade política e financeira na Itália ameaça gerar novo caos para a Europa

terça-feira, 5 de julho de 2016 14:17 BRT
 

Por Crispian Balmer

ROMA (Reuters) - As ações de bancos da Itália afundaram nesta terça-feira, sacudindo as bases financeiras da terceira maior economia da zona do euro e ameaçando contagiar outras nações da União Europeia.

A crise pode empurrar a Itália de volta à recessão e, em um cenário apocalíptico, gerar um tipo de colapso similar ao da Grécia que seria quase impossível a Europa conter.

Os bancos da Itália estão sufocados com uma pilha de empréstimos ruins e, elevando o crescente sentimento de instabilidade, o primeiro-ministro Matteo Renzi prometeu demitir-se caso saia derrotado de um referendo em outubro sobre a reforma constitucional.

Pesquisas de opinião recentes dizem que ele deve perder por grande margem.

"A Itália enfrenta uma grave crise que é exponencial. Isso não é gradual e não linear", disse Francesco Galietti, chefe da consultoria de risco Policy Sonar e ex-funcionário do Ministério das Finanças. "A causa imediata é a crise bancária."

O índice acionário do setor bancário da Itália caiu 30 por cento desde que o Reino Unido votou em 23 de junho para sair da União Europeia, elevando as perdas acumuladas no ano a 57 por cento. O índice de ações do setor bancário da zona do euro caiu 22 por cento e 37 por cento, respectivamente.

Na terça-feira, o índice italiano perdeu mais 1,44 por cento, para próximo dos patamares mais baixos em três anos.

A Itália é política e financeiramente frágil, muitas vezes descrito como "grandes demais para salvar" em uma crise, e mesmo tendo pouca ligação econômica direta entre seus bancos e a votação britânica, qualquer choque mundial cria grandes tremores no país.   Continuação...