Justiça bloqueia R$102 mi de Paulo Bernardo e investigados na Custo Brasil

terça-feira, 5 de julho de 2016 16:53 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio de pouco mais de 102 milhões de reais do ex-ministro Paulo Bernardo e de outros investigados da operação Custo Brasil, que apura supostas irregularidades em contratos do Ministério do Planejamento.

Segundo a decisão do juiz Paulo Bueno de Azevedo, proferida no dia 6 de junho mas só divulgada nesta terça-feira, o valor se refere ao montante que, de acordo com os investigadores, foi desviado no esquema de corrupção envolvendo o gerenciamento por uma empresa dos empréstimos consignados contraídos por servidores federais.

O PT também havia tido recursos bloqueados, mas o juiz aceitou pedido do partido para desbloquear a conta corrente em que recebe os recursos do fundo partidário.

Bernardo, que chegou a ser preso no âmbito da Custo Brasil mas foi posteriormente solto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), teria, de acordo com investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, recebido propina por conta do contrato de gerenciamento de empréstimos consignados.

Sobre a decisão do bloqueio de bens, os advogados Rodrigo Mudrovitsch, Juliano Breda e Verônica Stermann, que representam Bernardo, afirmaram que pedirão a revogação da decisão e classificaram as suspeitas sobre o ex-ministro de "comprovadamente infundadas".

Bernardo foi ministro do Planejamento e das Comunicações nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff.

A defesa de Paulo Bernardo nega quaisquer irregularidades e afirma que a decisão de contratar a empresa para gerar os empréstimos sequer passou pelo então ministro do Planejamento.

Os investigadores afirmam que parte da propina do esquema era destinada ao PT. O partido também nega irregularidades.

(Reportagem de Eduardo Simões)

 
Paulo Bernardo é escoltado por policiais em aeroporto de Brasília. 23/6/2016. REUTERS/Adriano Machado