Após Brexit, janela para emissões externas de empresas brasileiras pode se estender

quarta-feira, 6 de julho de 2016 15:57 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A surpreendente votação da Grã-Bretanha para deixar a União Europeia pode ter um desdobramento imprevisto de alongar por alguns meses a janela para empresas brasileiras captarem recursos no mercado internacional.

Após anos se abrindo em períodos muito curtos e apenas para gigantes como Petrobras e Vale, que captaram no exterior entre maio e junho, o mercado seguiu aberto a aceitar papéis de fora do grupo das chamadas blue chips, a exemplo de emissões recentes de Cosan e Marfrig, segundo especialistas de mercado, que prevem novas captações até a próxima semana, antes das férias no Hemisfério Norte.

"Com o Brexit (referendo que aprovou a saída da Grã-Bretanha da UE), consolidou-se a perspectiva de que uma alta de juros nos Estados Unidos é cada vez menor num cenário próximo", disse o diretor-gerente do Bradesco BBI, Leandro Araújo.

Com a previsão de que a taxa média de juros global seguirá baixa por vários meses, diante do receio de nova desaceleração da economia, gestores de portfólio têm realocado capital, procurando ativos que paguem mais que os títulos do Tesouro dos EUA.

O movimento ajuda a explicar em parte a queda acentuada no prêmio de risco exigido pelos investidores para papéis brasileiros, o que no jargão do mercado é chamado de "fechamento das taxas".

Isso vem sendo ilustrado pela rápida queda das taxas de títulos mais líquidos.

O credit default swap (CDS), que mede o risco soberano do país, caiu de cerca de 380 pontos em março, quando o governo brasileiro emitiu um título de 10 anos no exterior, para 320 pontos nesta semana.

Outro indicativo dessa tendência, segundo especialistas, foi a valorização de títulos como os colocados por Petrobras e Vale recentemente, nas negociações do mercado secundário.   Continuação...