Invasão chinesa no setor elétrico do Brasil está só no começo, dizem especialistas

quarta-feira, 6 de julho de 2016 16:16 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A recente invasão do setor elétrico do Brasil por empresas chinesas em busca de aquisições e projetos gigantescos está só no início, afirmaram à Reuters especialistas próximos a investidores orientais, que veem mais companhias a caminho do país e novos negócios a serem fechados no curto e médio prazo.

As expectativas sobre transações envolvendo chinesas têm crescido após o acordo preliminar da State Grid para a compra da fatia da Camargo Corrêa na CPFL Energia por 5,8 bilhões de reais, anunciado na sexta-feira.

Fontes do governo brasileiro disseram à Reuters nesta quarta-feira que os chineses têm outros 20 bilhões de reais disponíveis para o negócio caso os demais acionistas da CPFL também queiram exercer o direito de vender suas participações.

Além disso, a China Three Gorges (CTG), que na semana passada concluiu a compra de duas hidrelétricas em São Paulo por 13,8 bilhões de reais, afirmou na terça-feira que buscará oportunidades em geração solar e eólica no Brasil.

A diretora da consultoria especializada em negócios com chineses Vallya, Larissa Wachholz, afirmou à Reuters que sabe de ao menos "três ou quatro" companhias em preparação para a entrada no Brasil.

"A State Grid e a CTG não ficarão sozinhas. Outras virão, já estão se preparando para isso... são empresas bastante capitalizadas, que têm acesso a financiamentos de baixo custo e incentivos do governo chinês para buscarem projetos no exterior", disse.

O diretor da consultoria Upside Finance, Humberto Gargiulo, disse que os chineses olham ativos em geração, transmissão e distribuição de energia e que chegou a assessorar duas empresas com forte interesse em linhas elétricas colocadas à venda pela Eletrosul, subsidiária da Eletrobras.

"Só não saíram duas vendas porque ela (Eletrosul) colocou uma série de restrições para os investidores. Os chineses não gostaram e pararam o processo", afirmou.   Continuação...