Dólar sobe 1% ante real com ação do BC e preocupações fiscais

quarta-feira, 6 de julho de 2016 17:25 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta de 1 por cento frente ao real nesta quarta-feira, após o Banco Central intervir no mercado pela quarta sessão consecutiva para elevar as cotações e em meio a preocupações com a possibilidade de o governo interino de Michel Temer se contentar com uma meta fiscal pouco ambiciosa para 2017.

O viés local se sobrepôs aos mercados externos, onde a divisa dos Estados Unidos tinha leve queda frente às principais moedas emergentes devido à alta dos preços do petróleo. Mesmo assim, preocupações com a opção do Reino Unido por deixar a União Europeia mantiveram os ânimos contidos.

O dólar avançou 1,09 por cento, a 3,3370 reais na venda, acumulando avanço de 3,85 por cento em quatro sessões seguidas. O dólar futuro subia cerca de 1 por cento no fim desta tarde.

"A atuação repetida (do BC), mas com lotes pequenos, é um sinal claro de que o mercado exagerou quando levou o dólar para patamares tão baixos", disse o operador da corretora B&T Marcos Trabbold.

O BC ofertou e vendeu integralmente pela quarta sessão seguida 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares, reduzindo sua exposição cambial em 2 bilhões de dólares. O ritmo é lento em comparação com a postura adotada pelo BC sob a batuta de Alexandre Tombini, que antecedeu Ilan Goldfajn como presidente da instituição.

Tombini usou swaps reversos para reduzir a posição da autoridade monetária em swaps tradicionais, que equivalem a venda futura de dólares, de cerca de 100 bilhões de dólares no fim de 2015 para pouco mais de 60 bilhões de dólares quando deixou o cargo no mês passado.

O BC passou mais de um mês sem realizar leilões de swap reverso mas retomou o instrumento na semana passada após o dólar marcar a maior queda mensal em 13 anos em junho, embalado pelo otimismo cauteloso dos investidores com o Brasil.

Investidores também preferiram estratégias defensivas antes da definição da meta fiscal de 2017, com medo de o governo estabelecer objetivo que não implique grande esforço fiscal.   Continuação...