Investidor externo tem apetite em ampliar exposição ao Brasil nos próximos 3 anos, diz pesquisa

quarta-feira, 6 de julho de 2016 19:15 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma pesquisa do setor de investimentos de risco divulgada nesta quarta-feira identificou um significativo percentual de investidores estrangeiros interessados em ampliar exposição a ativos brasileiros nos próximos anos, informou a associação que representa a indústria, ABVCAP.

Segundo o levantamento, 88 por cento dos investidores internacionais têm interesse em ampliar nos próximos três anos suas alocações em private equity e venture capital no Brasil ao passo que entre os investidores nacionais esse percentual foi de apenas 21 por cento.

O levantamento, feito entre abril e maio em parceria com a KPMG, reuniu 38 empresas ligadas ao setor, sendo metade nacional e metade estrangeira.

Para o coordenador do comitê de regulamentação da ABVCAP e responsável pela área de investimentos alternativos do BNP Paribas Asset Management, Luiz Eugênio Figueiredo, a diferença entre o apetite dos investidores nacionais e estrangeiros pode ser traduzida pela cultura.

"O investidor internacional já investe nesta classe de ativos há mais longo prazo, de forma mais abrangente e estratégica. Por isso, ele é menos suscetível a eventos políticos e econômicos", disse Figueiredo à Reuters durante congresso promovido pela entidade.

"Se ele vê que tem fundamentos de longo prazo, não vai quebrar e não vai ser uma Venezuela, você vai ter bons resultados no private equity e um papel muito relevante do desenvolvimento de um país... E eles sabem que os investimentos feitos em momentos de crise têm um melhor retorno", acrescentou. "Há uma acomodação que não acontece no exterior", complementou.

Para Figueiredo, os investidores nacionais além de estarem mais impressionados pelo ambiente turbulento do país nos últimos meses, ainda carregam a cultura de olharem mais para os investimentos em renda fixa, que dão mais retorno no curto prazo uma vez que o juro está acima dos 14 por cento.

"A diferença entre os percentuais é muito cultural e o brasileiro aproveita o juro a 14 por cento e vai para renda fixa. No ciclo de queda nos juros no passado houve uma alocação dos fundos de pensão em private e venture, que foi desacelerado com o aumento das taxas de juros", disse ele.   Continuação...