Para S&P e Moody's, aprovação de reformas é fiel da balança para Brasil

quarta-feira, 6 de julho de 2016 20:36 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A atenção de grandes agências de classificação de risco em relação ao Brasil segue voltada para a capacidade do governo interino de aprovar propostas no Congresso para corrigir a deterioração fiscal do país, e não tanto para medidas adotadas que aumentam o rombo orçamentário no curto prazo.

Segundo representantes da Moody's e da Standard & Poor's, fatores como a renegociação das dívidas dos Estados e o reajuste de salários de funcionários públicos e do Bolsa Família, que tem rendido crescentes críticas ao governo do presidente interino Michel Temer, por piorarem ainda mais o buraco fiscal, não mudam o cenário de longo prazo.

"Já está dado que uma reversão para melhor da dinâmica da dívida pública brasileira vai demorar para acontecer, o que precisamos ver é qual o empenho na implementação das reformas de correção orçamentária propostas", disse à Reuters a analista da Moody's responsável pelo rating soberano do Brasil, Samara Maziad, referindo-se à proposta limitar por até 20 anos o aumento dos gastos públicos à inflação e à reforma na Previdência.

Essas medidas, segundo ela, criam a expectativa de um cenário melhor para a trajetória de endividamento como proporção do PIB, que chegou a 68,6 por cento em maio, segundo dados do Banco Central. No cenário de estresse, que leva em conta a possibilidade do governo ter que capitalizar alguma estatal, a Moody's calcula que essa relação pode chegar a 80 por cento.

"As decisões até agora eram de alguma forma previstas, não mudam estruturalmente o cenário", disse Samara.

A analista responsável pelo rating soberano do Brasil na S&P, Lisa Schineller, concorda que vai ser duro reverter a trajetória fiscal negativa e que a situação fiscal ficou ainda pior neste quase dois meses de governo interino, considerando que o déficit primário previsto para este ano foi elevado para 170,5 bilhões de reais. Além disso, a expectativa é que o governo anuncie uma meta fiscal para o próximo ano muito próxima ao rombo deste ano.

Para a analista da S&P, no entanto, Temer conseguiu formar uma equipe econômica robusta e o fiel de balança agora é realmente o apoio do Congresso para as reformas.

"Ainda vemos grandes riscos de problemas políticos, especialmente até a votação do impeachment (da presidente afastada Dilma Rousseff) e das consequências da Lava Jato", disse Lisa. "Vamos esperar sinais mais claros de melhora".   Continuação...