Dólar cai 2,12% e vai abaixo de R$3,30 com fiscal, BC e exterior

sexta-feira, 8 de julho de 2016 17:17 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de mais de 2 por cento e foi abaixo de 3,30 reais nesta sexta-feira, com investidores exergando na meta fiscal para 2017 um sinal de comprometimento do governo com a austeridade e reagindo à ausência do Banco Central após cinco dias de intervenção no mercado para sustentar as cotações.

O real foi de longe a moeda com maior valorização entre os principais mercados emergentes. O apetite por ativos de risco voltou nesta sessão após o mercado de trabalho dos Estados Unidos recuperar com força em junho, mostrando robustez na maior economia do mundo.

O dólar recuou 2,12 por cento, a 3,2945 reais na venda, mas ainda acumulou alta de 1,91 por cento na semana. A moeda norte-americana havia caído nas cinco semanas anteriores, período em que acumulou perda de 10,47 por cento.

O dólar futuro caía cerca 2,25 por cento no fim da tarde.

"Temos tudo hoje: fiscal, exterior, BC. Tudo colabora para trazer o dólar de volta a esses 3,30 reais", resumiu o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

O governo definiu na quinta-feira meta de déficit primário de 139 bilhões de reais para o governo central em 2017, abaixo do rombo de 170,5 bilhões de reais previsto para este ano. No entanto, não especificou como vai cumprir o esforço fiscal de 55,4 bilhões de reais necessário para atingir o objetivo.

Preocupações com a possibilidade de o presidente interino Michel Temer se contentar com uma meta pouco ambiciosa haviam contribuído para elevar o dólar frente ao real nas últimas cinco sessões, acumulando avanço de 4,75 por cento no período. A moeda norte-americana foi amparada também pela intervenção do BC, que vendeu em cada um dos dias 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares.

Mas o BC não anunciou qualquer intervenção para este pregão. De maneira geral, investidores entendem que o BC quer evitar exageros no mercado e entrou no mercado para reduzir o ritmo de queda do dólar após marcar a maior perda mensal em 13 anos ante o real em junho.   Continuação...

 
Notas de real e dólar são exibidas em casa de câmbio do Rio de Janeiro, em foto ilustrativa
10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes