Ministro da Economia de Cuba revela detalhes sobre medidas de austeridade severas

sábado, 9 de julho de 2016 16:03 BRT
 

HAVANA (Reuters) - Cuba vai cortar drasticamente gastos com eletricidade, importações e investimento e vai reduzir o consumo de combustível em cerca de 28 por cento até o final do ano, disse o ministro da Economia, Marino Murillo, em um discurso a portas fechadas na Assembleia Nacional, publicado neste sábado pela imprensa estatal.

As medidas colocarão a economia dependente das importações em terreno negativo, apesar do auge do turismo devido a uma abertura cada vez maior de relações com os Estados Unidos.

A economia de Cuba cresceu cerca de 1 por cento no primeiro semestre deste ano, após uma expansão de cerca de 4 por cento em 2015, afirmou o governo.

"Nós tínhamos previsto uma importação para gerar a meta de crescimento da economia, que era de cerca de 2 por cento, a 14,4 bilhões de dólares. Com os ajustes vamos ficar com 11,97 bilhões", disse Murillo.

O presidente Raúl Castro afirmou na sexta-feira que a baixa dos preços das matérias-primas atingiu as exportações cubanas de níquel, produtos refinados de petróleo e açúcar, enquanto as receitas com a vendas de serviços profissionais a países exportadores de petróleo como Venezuela e Angola também foi afetada.

Em um discurso na Assembleia Nacional, Castro afirmou que a crise na Venezuela afetou o envio de petróleo a Cuba. Os embarques de petróleo e produtos refinados de Caracas caíram ao redor de 20 por cento no primeiro semestre deste ano.

Murillo anunciou que o governo vai suspender 17 por cento dos investimentos previstos para este ano.

O ministro afirmou que os cortes de eletricidade serão coletivos, por exemplo, não vão afetar o consumo e disponibilidade de energia elétrica ao setor residencial, mas haverá um corte de 50 por cento na iluminação pública.