ENFOQUE-Basileia III deve mudar cartão de crédito no Brasil

segunda-feira, 11 de julho de 2016 13:58 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Mudanças em regras internacionais para bancos devem reverberar em práticas do mercado de cartões no Brasil, incluindo compras parceladas sem juros e crédito rotativo, além dos limites de gastos dos clientes poderem ser reduzidos.

A faísca para a transformação pode vir de Basileia III, que exigirá dos bancos volumes maiores de capital para operações consideradas mais arriscadas, incluindo as de cartões.

Isso pode fazer com que os bancos cortem benefícios cruzados, parte deles devido a distorções do mercado doméstico. Hoje, o custo de operações dos clientes que pagam a fatura inteira é repassado para os usuários do rotativo, a linha de crédito mais cara do mercado. Em maio, a taxa média desse tipo de operação era de 471,3 por cento ao ano.

Isso porque a taxa do rotativo paga, além das perdas com inadimplência, as despesas que os bancos têm ao alocarem capital para o limite disponibilizado e não usado. Como usuários ou não do rotativo são tratados contabilmente como de mesmo risco, os bancos transferem o custo de um para outro.

"Em Basileia III, muda o tratamento dado aos que pagam a fatura inteira e os que usam o rotativo e as exigências de capital são distintas para cada um", disse à Reuters o diretor de gestão de capital do Itaú Unibanco, Rodrigo Couto.

O Brasil pleiteou ao comitê de Basileia que aceite a manutenção do tratamento contábil atual. Uma decisão deve sair até o fim do ano. Se a resposta for negativa, os bancos teriam pouco mais de dois anos para se adaptar, dado que a nova fase de Basileia entra totalmente em vigor no Brasil em 2019.

"Com um não de Basileia, o Banco Central brasileiro não teria muita liberdade para adotar regras de forma diferente", afirmou Couto.

Como consequência, os bancos procurariam reduzir o custo dos clientes de cartões que não pagam juros, podendo reduzir limites, assim como já fazem com o cheque especial, e aumentar a tarifa de anuidade dos cartões.   Continuação...